Descobri esses tempos um talento impressionante que nós humanos temos. O talento de fazer as coisas divertidas tornarem-se chatas, ansiosas, um peso. Para tal, parto do principio do porquê do nosso nascimento ser a busca pela felicidade. Primeiro a felicidade de nossos pais, por que afinal de contas, eles têm ali de pronto a mistura deles mesmos em outro ser, que depende somente deles para viver. Por um tempo, claro. A felicidade. É em busca dela que viemos, para sermos felizes precisamos nos divertir. Antes de nos divertimos, vivemos em sociedade, e dentro desse local inóspito precisamos criar regras para bem viver. Pronto, lá se vai a felicidade. Não critico as regras, apenas lastimo a necessidade de te-las. Lá se vai a diversão. Mas calma, muita calma, dentro da sociedade, no meio das regras, no esconde esconde diário dos deveres, existem os relacionamentos. Aí sim!
Homens, mulheres, homens com homens, mulheres com mulheres, desde o começo foi tudo meio misturado. A amizade é a base. Dizem que a palavra amizade vem do latim, e sua raíz quer dizer amor. Essa é a relação mais pura e idealmente não deve haver interesse egoísta, a não ser a vontade de estar junto. Surge da afinidade, do bom conhecimento, do cativar daquela antiga e sábia raposa. Quando se fala em amor, ou melhor quando se sente, parecem perder o sentido as regras, a sociedade. E é divertido, e traz paz, e faz sentido.
A amizade começa também sem interesse sexual, e tá ai um ingrediente tinhoso, o sexo. Ele enlouquece. Ele ainda é, e duvido que um dia deixe de ser, o principal pensamento de todas as pessoas. Tirando dias que sucedem a jogos importantes de futebol. O que me leva a escrever sobre isso, e a pensar em toda essa questão da felicidade, é que as nossas relações amorosas deixaram de ser divertidas. Viraram jogos de poder. Ninguém se sente livre para agir naturalmente, seguir os impulsos, fazer-se de bobo. Quando foi que começamos a estragar tudo? Veja bem, não sou apocalíptica, não penso ser o fim, mas que tudo está pesado, está. Onde fica o disque me disque das meninas que cochicham e paqueram e sonham?
Nós mulheres já idealizamos um tipo ideal, desde o tênis que ele usa até o formato de suas mãos, sem contar os interesses específicos e as ambições econômicas. Tudo ficou mais complexo. O que fizemos com o dividir?O aprender?O lutar?Nós mulheres nos tornamos cínicas.
Somos cínicas, por que de alguma forma, desde o começo desse jogo de vai não vai amoroso, logo cedo na puberdade, batemos muito a nossa cara. Mais do que o normal, por que é tudo mais fácil. Encontrar com o carinha é fácil, trocar idéia, saber das fofocas que envolvem o nosso eleito do momento é fácil desde o advento do ICQ. Estragou um pouco. Os homens têm sua parcela de culpa no nosso diagnóstico atual. Eles ficaram ainda mais aéreos, têm muitas preocupações, e não muita paciência. Eles têm também a mania irritante de deixar as coisas no ar, de serem educados e cortezes. Eles ficaram mornos. Parece que não se apaixonam, não se entregam, e não conseguem ter a personalidade de querer uma mulher no meio de muitas, não importa qual seja.
Veja bem, é claro que eu estou generalizando, é claro que ainda existe esperança (?), e é claro que os homens conseguem sim se entregar e as mulheres não são totalmente cínicas, eu só desenho agora a imagem que eu vislumbro pessoalmente e na obervação e participação na vida das outras pessoas. Termino pedindo: Vamos voltar a nos divertir?
Aufwiedersehen!!
E tem mais...
(...)
Um monte de coisa misturada..
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Impressões
Conversas com um personagem que eu não conheço bem, mas veio me contar coisas interessantes:
Que coisa essa da “primeira impressão é a que fica”. Aquele primeiro olhar para a pessoa, o teste se o santo bate ou não, se é bonito, feio, mal vestido, fede? Tudo isso devia ser melhor observado, por que eu vou te dizer meu filho, eu cansei de cair de cara com essas idéiazinhas superficiais de um primeiro conhecimento. Não vou tirar o meu da reta não, ô se já julguei, e é divertido por um lado, vira meio que um jogo de adivinhação, e enquanto eu sei que é um jogo, qual é o problema? Pensar que aquele cara mala que só falava dele mesmo, é hoje o amigo fiel e confidente de todos os anos. Aquela patricinha metida a besta (o que significava que ela era linda de doer e me esnobou), se apaixonou por um cara sem graça como eu, é a mãe que eu pedi a Deus pros meus filhos. Coisa louca...a gente vive batendo a cara, a vida fica gritando o quanto que a gente é burro. Por que sim, a gente é um bicho burro e orgulhoso ainda! Não é por mal eu sei, faz parte da nossa raça, a gente se sente o tal no meio dos outros animais por causa de dois dedinhos que têm o super poder de segurar uma colher. A colher gira pra adoçar o chá e a gente o que faz realmente de bom? Julga, critica, reclama e faz tudo do jeito errado. Eu não quero deixar vocês desanimados com a minha sabedoria e toda essa coisa, eu quero dar risada! Vou rir por que tô velho e só aprendi isso agora, senão teria rido antes. Estudei, me senti várias vezes um puta de um cara por causa de uma promoção no trabalho, olhei de cima para os subalternos, a faxineira, recepcionista, todos eu tratava com a polidez certa das pessoas superiores. Superior em que? Que eu tinha melhor que eles? Ah lembrei, um escorte conversível amarelo e zero, que agora nem tem mais linha, e era bem do brega. A gente se prende a um conceito que não existe mais daqui uma semana, a gente se prende a muita besteira! Eu vou sim é rir, já contei esse segredo pros filhos da minha patricinha (eu ainda chamo ela assim), aquela dondoquinha linda. Meu melhor amigo de hoje era o cara com bafo da repartição que eu trablhava há trinta anos. O cara consegue entender e rir das piadas que eu ainda nem contei. Tem problema de estômago, daí o mal hálito que eu já nem sinto.
Que coisa essa da “primeira impressão é a que fica”. Aquele primeiro olhar para a pessoa, o teste se o santo bate ou não, se é bonito, feio, mal vestido, fede? Tudo isso devia ser melhor observado, por que eu vou te dizer meu filho, eu cansei de cair de cara com essas idéiazinhas superficiais de um primeiro conhecimento. Não vou tirar o meu da reta não, ô se já julguei, e é divertido por um lado, vira meio que um jogo de adivinhação, e enquanto eu sei que é um jogo, qual é o problema? Pensar que aquele cara mala que só falava dele mesmo, é hoje o amigo fiel e confidente de todos os anos. Aquela patricinha metida a besta (o que significava que ela era linda de doer e me esnobou), se apaixonou por um cara sem graça como eu, é a mãe que eu pedi a Deus pros meus filhos. Coisa louca...a gente vive batendo a cara, a vida fica gritando o quanto que a gente é burro. Por que sim, a gente é um bicho burro e orgulhoso ainda! Não é por mal eu sei, faz parte da nossa raça, a gente se sente o tal no meio dos outros animais por causa de dois dedinhos que têm o super poder de segurar uma colher. A colher gira pra adoçar o chá e a gente o que faz realmente de bom? Julga, critica, reclama e faz tudo do jeito errado. Eu não quero deixar vocês desanimados com a minha sabedoria e toda essa coisa, eu quero dar risada! Vou rir por que tô velho e só aprendi isso agora, senão teria rido antes. Estudei, me senti várias vezes um puta de um cara por causa de uma promoção no trabalho, olhei de cima para os subalternos, a faxineira, recepcionista, todos eu tratava com a polidez certa das pessoas superiores. Superior em que? Que eu tinha melhor que eles? Ah lembrei, um escorte conversível amarelo e zero, que agora nem tem mais linha, e era bem do brega. A gente se prende a um conceito que não existe mais daqui uma semana, a gente se prende a muita besteira! Eu vou sim é rir, já contei esse segredo pros filhos da minha patricinha (eu ainda chamo ela assim), aquela dondoquinha linda. Meu melhor amigo de hoje era o cara com bafo da repartição que eu trablhava há trinta anos. O cara consegue entender e rir das piadas que eu ainda nem contei. Tem problema de estômago, daí o mal hálito que eu já nem sinto.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Inércia
Com coragem olhou para o relógio. 11:48h. A TV ainda participava da trilha matinal, enquanto os olhos nem fechados nem despertos insistiam não tomar decisão alguma. O estômago roncou. Um emaranhado de fios e poeira alçava vôo do chão da sala. Chega. Ela colocava com força desnecessariamente enfática os móveis em cima dos sofás. Cadeiras eram jogadas com cuidado abrupto sobre a mesa. Vassoura, tosse, pano, e o cheiro reconfortante da hortelã brigava com o barulho dos ônibus incansáveis do lado de fora. As roupas sentiam-se amassadas. Ferro, fogo, dobras. Do quarto pessoas conversavam aleatoriamente na sala. A TV era posta pra dormir. Era ela agora que precisava ser arrumada. O interruptor do chuveiro dizia inverno, e ele estava certo, mas ela precisava do frio escorrendo, mudou contra a vontade para a função verão. Arrepios desagradáveis, os olhos decidiam-se, queriam despertar. Já provida de sua toalha nova, que por isso não sabia direito enxugar, pensou naquele vestido. Sua mãe o havia comprado para um casamento, ele tinha essa estampa geométrica, que ela achou levemente informal para tal cerimônia. O vestido era bonito, e com ele tentou sair para a rua num dia qualquer, só que ele aparecia-se muito formal para o dia a dia. Talvez ele servisse para um dia como aquele. Vestiu-o e do espelho não conseguia decidir quem era e se servia àquele lugar barulhento. Uma sirene qualquer passou rapidamente pela rua, ela sentiu que respirava, respirou fundo para conferir e saiu.
Aufwiedersehen!
Aufwiedersehen!
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
09 de janeiro em outro lugar
O viajante na maior parte de sua vida precisa trabalhar, e por isso acaba por perder a perspectiva do momento e por consequência a esquecer-se de onde está. Aí, em dado momento, ele retorna para o “no man's land” e começa a pensar o que quer da vida, mas o movimento o atrapalha como aquele vento que sacode o cabelo no rosto. Ele não é mais João, Pedro, Maria, de repente ele é brasilero. O viajante é sobretudo um malagradecido. Assim mesmo, tudo junto como dizem nossos avós MALA-GRA-DE-CIDO!Gosto de dizer que sou um desses, uma aventureira, que sinto claustrofobia, aracnofobia, cleptomania, ou seja lá o que for em lugares fechados, que me repugna a rotina. Tudo falácia! O malagradecido é antes de tudo um sujeito esquecido. Esquece que tem saúde, boa família, um teto. Que ele faz? Procura sarna pra se coçar! Estou na capital da Argentina, sentada na colorida sala de um prédio pintado em vermelho queimado, onde a luz entra sem pedir licença e aqui permanece até às 21h, veja lá que audácia! Daqui de minha cadeira, abóbadas de prédios antigos multicolores, todos têm um grande alfinete que aponta para o infinito sobre nossas cabeças. Conheci uma duzia de pessoas ou mais de todo lugar, conversei no meu inglês da adolescência, e até ensaiei alguns discursos no espanhol vizinho com aquele x ordinário argentino que vai no lugar do r, e que eu insisto em não aprender, por que parece que eles insistem em escrever o meu português errado! Sinto-me feliz por que viajo, percebo a saudade da intimidade muitas vezes incoveniente do cotidiano, das ligações de madrugada, das responsabilidades enfim...Dou um gole na minha Quilmes e preparo-me para mais uma noite de sofrimento em Buenos Aires, para tentar ser menos malagradecida.
Aufwiedersehen!!
Aufwiedersehen!!
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Um último suspiro do passado
2010. O que me aconteceu nesse ano? Nada praticamente. Na realidade, tudo. Final de ano se parece muitas vezes com uma soma de “mal agradecimentos”, pelo menos no meu caso. Existe ainda a comparação. Em 2009, só nesses 12 meses, boa parte deles, oito, vivi em outro continente, em um país que já se parecia muito com uma casa, daquelas bem arrumadas, com pessoas sóbrias e diferentes de onde você vem, mas um lugar ainda menor dentro desse continente foi conquistado a muito custo. Onde foi parar esse ingrediente físico da adrenalina, da luta contemporânea pela sobrevivência? Por que a nossa vida vale a pena? Eu penso que é por que não existe marasmo, o nosso organismo pede mais, daí nossa insatisfação perene, que nunca sai, ta sempre lá coçando por dentro, fazendo com que pareça que a gente não valoriza o que temos. Não tem essa de consciência. Somos assim.
Em 2009 tudo era magistral, evento generalizado, um acontecimento. Eu não me dou muito com pequenas reuniões, eu quero fogos de artifício, como os que vi brigando pelo espetáculo da passagem do ano com a neve em 2008, no inverno do outro lado do oceano. Aquela intuição de que aquele ano de 2009 ia ser maravilhoso se comprovou. Eu era a heroína (pelo menos de mim mesma), que regressava de uma jornada pessoal vitoriosa. Eu realizava o sonho de voltar e abraçar minha família e amigos de sempre e eu podia abraçar o mundo. Naquele mês de agosto, quando completava 24 anos nada era impossível, tentar um lugar em uma área que não era a minha de formação profissional era um chute, que depois de um mês foi concretizado, eu tinha um emprego!Depois de três meses eu morava em um apartamento exatamente como eu imaginava, com duas amigas amadas. Eu começava a minha vida.
2010. A passagem de ano dessa vez olhando o mar, sentindo a chuva e o calor, foi diferente. Eu sentia a tal da adrenalina se esvair aos poucos. Estabilidade. Essa é a palavra desse ano. Recolhi-me, trabalhei, estudei Cinema, estudei Literatura, voltei pra natação, inércia. Todo movimento tende a continuar o que começou sem mudar de direção, ou algo do tipo. Estabilidade que leva ao acomodamento, que leva ao conformismo, preguiça, conforto. Eu amadureci. Tem coisa mais chata que isso?
Aufwiedersehen!!
Em 2009 tudo era magistral, evento generalizado, um acontecimento. Eu não me dou muito com pequenas reuniões, eu quero fogos de artifício, como os que vi brigando pelo espetáculo da passagem do ano com a neve em 2008, no inverno do outro lado do oceano. Aquela intuição de que aquele ano de 2009 ia ser maravilhoso se comprovou. Eu era a heroína (pelo menos de mim mesma), que regressava de uma jornada pessoal vitoriosa. Eu realizava o sonho de voltar e abraçar minha família e amigos de sempre e eu podia abraçar o mundo. Naquele mês de agosto, quando completava 24 anos nada era impossível, tentar um lugar em uma área que não era a minha de formação profissional era um chute, que depois de um mês foi concretizado, eu tinha um emprego!Depois de três meses eu morava em um apartamento exatamente como eu imaginava, com duas amigas amadas. Eu começava a minha vida.
2010. A passagem de ano dessa vez olhando o mar, sentindo a chuva e o calor, foi diferente. Eu sentia a tal da adrenalina se esvair aos poucos. Estabilidade. Essa é a palavra desse ano. Recolhi-me, trabalhei, estudei Cinema, estudei Literatura, voltei pra natação, inércia. Todo movimento tende a continuar o que começou sem mudar de direção, ou algo do tipo. Estabilidade que leva ao acomodamento, que leva ao conformismo, preguiça, conforto. Eu amadureci. Tem coisa mais chata que isso?
Aufwiedersehen!!
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