Esse é o nome científico da Palmeira Imperial. De sua história sei pouco, não sei o porquê do Rystionea, sei que essa planta nobre me emociona. Estive no Rio de Janeiro pela primeira vez, vergonhosamente adiando a viagem para a cidade mais linda do meu país, e não tão longe da minha casa. O turismo tem aquela coisa da agenda, dos lugares obrigatórios para se visitar. Felizmente nessa minha vida já fiz muito turismo, principalmente em um ano especial, reservado talvez quase que exclusivamente para essa atividade. Considero-me pouco talentosa para traçar os principais lugares a se conhecer, todos aqueles pontos importantes do guia básico. Já deixei de entrar em museus e memoriais e castelos históricos, já voltei pro hotel cansada abrindo mão da principal igreja da cidade, mas uma coisa me orgulha pensar, eu senti do fundo do meu coração todos os lugares onde estive.
Logo que cheguei no Rio, em um dia que sobreviveu ao tempo ruim que permanecia já há algumas semanas, presenciei o por do sol no alto do Pão de Açucar em uma exposição de rosa, azul e amarelo que fazia cenário atrás das montanhas e do oceano que recolhia os barcos em miniatura lá embaixo. Ainda na corrida turística, tomei muitas vans até o topo do Corcovado ao lado do Redentor, para depois chegar onde eu comecei a escrever, nas grandiosas Palmeiras Imperiais expostas em fila no Jardim Botânico. Lá sentada, olhei o céu, na sobreposição marrom e verde das cabeças das palmeiras sob um azul egoísta, conseguindo ainda lá atrás espiar o Cristo com seus braços abertos, pequenininho, de olho em nós. Agradeço enfim baixinho, à cidade e ao asfalto, que generosos abrem esse espaço para a natureza. O Rio com suas palmeiras, montanhas, monumentos,lagoas, e o mar, é a cidade mais linda do mundo.
Aufwiedersehen!
E tem mais...
(...)
Um monte de coisa misturada..
terça-feira, 23 de agosto de 2011
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
As primaveras de agosto
E foi assim, em uma manhã fria ensolarada e com ares de primavera que eu fiz 26 anos. Pensar que eu já sou adulta seria só mais uma das repetições da vida, a verdade é que depois de tanto tentar eu acordei e percebi que nao estou sozinha. Alguns o chamam de inferno astral, eu chamo de fase de tristeza, confusão, dúvida muita dúvida, frustração. Mas afinal de contas, o sábio diria, você está apenas começando menina! Esse sentimento dura bem mais que 30 dias...
Eu simplesmente não consigo e também não quero atribuir tudo isso à fácil desculpa psicossomática do tal inferno. São as minhas dores do crescimento e eu gosto delas, e talvez eu precise de novo segurar bem forte a mão da minha mãe, não tem problema...
Aufwiedersehen!
Eu simplesmente não consigo e também não quero atribuir tudo isso à fácil desculpa psicossomática do tal inferno. São as minhas dores do crescimento e eu gosto delas, e talvez eu precise de novo segurar bem forte a mão da minha mãe, não tem problema...
Aufwiedersehen!
domingo, 24 de julho de 2011
Amor
As vezes eu me irrito com a minha cabeça, com a minha constante analise do ambiente, e agora prestes a completar 26 anos, estou mais velha do que nunca, e por vezes penso já ter visto tudo...sábado a tarde fui me despedir do meu vô, do alto da minha quase inacessibilidade fui pega por uma corrente irrestível de dor, daquelas poucas que são impossíveis de conter, talvez a única...eu era de novo aquela menininha cercada de adultos incompreensíveis, mas através dos quais eu amava descobrir um pouco da vida. Meu vô sempre forte sentado em sua poltrona, portando um copo de Whisky em uma mão e seu cigarro fedorento na outra assistia ao Corinthians. Eu entrei sem aviso no quarto e o vi tão pequeno. Ele forçosamente respirava através de uma sonda como se quisesse beber a última gota de um néctar que já não existia mais no mercado. Ficamos lá a olhá-lo, e a dizer que ele já podia ir, e a agradecer, e a dizer que o amávamos e a pedir a benção pela última vez. Era sábado a noite e eu não gostaria de estar em nenhum lugar senão lá, ao lado da minha vó, o grande amor da vida dele que o olhava, aproveitando cada segundo, e eu teria forças para bater em alguém que dissesse que o casamento é uma instituição falida. Eu olhava meu avô, mas olhava também os meus tios, meus primos, minha avó, meus irmãos e meus pais. A palavra ensaio era funesta, e não saia da minha cabeça analítica, eu precisaria me preparar, se é que existe preparo para isso.
No velório beijei sua testa impecável e gélida, ele estava como há 15 anos, quando eu ainda conseguia sentar no seu colo...agora um véu o cobria, e as flores o acolhiam no conforto do eterno. Escolhi guardar aquela recordação, o enterro era mais do que eu precisava para seguir com a minha vida.
Aufwiedersehen...
No velório beijei sua testa impecável e gélida, ele estava como há 15 anos, quando eu ainda conseguia sentar no seu colo...agora um véu o cobria, e as flores o acolhiam no conforto do eterno. Escolhi guardar aquela recordação, o enterro era mais do que eu precisava para seguir com a minha vida.
Aufwiedersehen...
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Não se afobe não
Na falta de inspiração, e talvez na falta do que dizer, quando só se consegue sentir...fico com o Chico.
Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar
E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização
Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você
Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar
E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização
Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Qualquer dia
Eugênio. Seu Eugênio, 62 anos e 8 meses, aposentado há 10, acorda em setembro, em um dia invariavelmente frio, porém ensolarado. Olha para o outro lado da cama e não vê ninguém. Procura suas chinelas meio que sem saber o porquê e as calça, pensa no sonho do dia anterior e lembra-se que não sonhou nada. Coça os olhos com prazer, levanta-se, sente vontade de espriguiçar-se, mas tem preguiça. Chama por Maria, que não responde. Vai até o banheiro, olha para a calcinha chocolate pendurada na torneira do chuveiro e sente asco. Depois do asco uma certa excitação meio que como uma lembrança de algo que não se lembra. Nostalgia!Nostalgia é a palavra. Ou talvez dejá vù. Pensa escovar os dentes, como recomendado pelo dentista, mas pensa que odeia o sabor da pasta de dente misturada com o café que logo vai tomar. Desiste de pensar e escova os dentes. Olha para a barba, já crescida e sujando seu rosto, incomoda-se mas não faz nada a respeito. Troca de roupa, penteia os cabelos, olha-se no espelho e percebe um pequeno amassado na manga direita, decide trocar de camisa. Ouve o som da porta, é a mulher que entra. Vai até a cozinha e encontra Maria arrumando as compras. Comprou pão francês? Não, achei que você ia preferir ir buscar você mesmo. Ela achou certo, mas ele continuou mal humorado, meio que se sentindo forçado a sair de casa. Olhou para Maria e pensou como ela tinha mudado, e não conseguiu se lembrar de como ela era bonita. Para um homem velho, o passado pode ser alguma coisa desnecessária, por causa de todo o senso do prático que vem com a experiência. Quando jovem, com seus recém completados trinta anos, gostava de se auto-afirmar pragmático. Conhecia em partes o significado da palavra, mas conhecia ainda mais o efeito que ela tinha nas pessoas. Sentiu de repente fome, ou simplesmente seu estômago roncar, apalpou os bolsos da calça, o bolso da camisa à procura de trocados, mas não encontrou nada, apenas um papelzinho antigo no bolso da camisa depois da que não estava amassada. Leu o papel e já o guardou amassado de volta no bolso, sem que eu conseguisse vislumbrar alguma coisa. Pensou por alguns instantes, deu uma forte fungada, e um meio sorriso perpassou seu rosto, ou somente o raio do sol que entrou pela janela o fez fechar os olhos. Sua mulher, Maria, estava sentada na sala, com a televisão ligada, tomando um chá e lendo uma revista. Querida, você precisa fazer tudo isso ao mesmo tempo? Se eu consigo, qual o problema Eugênio? Ela disse isso como um tom poeril, quase infantil. Eugênio lembrou um pouco dela, sob a luz daquele sol matinal, que entra tímido pelas frestas da janela. Ficaram os dois assim quietos por uns dois minutos. Que foi Eugênio? Ele foi até ela, ajoelhou-se no chão e delicadamente a beijou na boca. Maria ficou desajeitada. Ele desajeitado ao se levantar, pegou as chaves e saiu. Ela desligou a TV, sorriu e tomou um gole de chá.
Garoava na rua. Eugênio surpreendeu-se do fato, por não ter sentido o cheiro. Mirou a padaria a duas quadras de casa, e saiu ao seu encalço. Um quarteirão depois já podia sentir o cheiro de pão doce, que agora misturava-se com o cheiro da chuva e um tiquinho de fumaça dos carros. Escolheu os três pães franceses de sempre, e decidiu escolher mais duas carolinas que Maria tanto gostava. Apalpou seus bolsos e lembrou-se que não tinha trocados, e sentiu novamente o papelzinho. Sentou na cadeira, comeu uma carolina. Pensou mais um pouco e comeu outra carolina. Pediu para pendurar a conta e saiu. Já não garoava mais. Segurou seus pães no peito, sentindo que acabavam de sair do forno, encheu sua boca de àgua ao ver uma menina de saia passar. Atravessou a rua, automático como tinha procurado as pantufas mais cedo, não viu o ônibus que passou.
Três pães franceses cairam no chão, a moça da saia correndo para acudir. Seu Eugênio!! Eugênio.
Aufwiedersehen!
Garoava na rua. Eugênio surpreendeu-se do fato, por não ter sentido o cheiro. Mirou a padaria a duas quadras de casa, e saiu ao seu encalço. Um quarteirão depois já podia sentir o cheiro de pão doce, que agora misturava-se com o cheiro da chuva e um tiquinho de fumaça dos carros. Escolheu os três pães franceses de sempre, e decidiu escolher mais duas carolinas que Maria tanto gostava. Apalpou seus bolsos e lembrou-se que não tinha trocados, e sentiu novamente o papelzinho. Sentou na cadeira, comeu uma carolina. Pensou mais um pouco e comeu outra carolina. Pediu para pendurar a conta e saiu. Já não garoava mais. Segurou seus pães no peito, sentindo que acabavam de sair do forno, encheu sua boca de àgua ao ver uma menina de saia passar. Atravessou a rua, automático como tinha procurado as pantufas mais cedo, não viu o ônibus que passou.
Três pães franceses cairam no chão, a moça da saia correndo para acudir. Seu Eugênio!! Eugênio.
Aufwiedersehen!
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