No caminho comentava com Bella como sentia falta de Sao Paulo. Por trabalhar e morar na zona oeste, nas últimas semanas estava restrita ao trânsito breve entre Pinheiros, Vila Madalena e Perdizes. Eu tinha um horário marcado com dois meses de antecedência no Retro Hair, um salão na Augusta. Logo que entrei tive a atmosfera vintage tomando conta de mim, desde uma trilha sonora a la woodstock até um Jimi Hendrix tupiniquim, belo com sua voz potente se apresentar como Jonas me levar até os fundos, oferecer uma cerveja, segurar minha jaqueta para pendurar e guardar minha bolsa, para depois lavar meus cabelos com a delicadeza de uma fada. Jonas comenta como obvio, voce é bem bonita né?E oferece uma toalha para cobrir minhas pernas, a despeito de só terem "viados" por lá. Ao terminar a lavagem ele me oferece, ao que eu respondo de pronto gargalhando, uma massagem. Olho pra ele e seu rosto permanece sério. Aceito de prontidão a massagem para ser apresentada a uma calorosa Bia que cortaria meus cabelos e o faria maravilhosamente em 5 minutos. Subo para conhece o lounge no mezanino, sento e observo aquela movimentação com a minha Rua Augusta de pano de fundo, desço novamente, pago, e vou embora preenchida de um amor que existe sim em SP, por 55 reais.
Aufwiedersehen!
E tem mais...
(...)
Um monte de coisa misturada..
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
É agora
O que a gente faz quando tudo pára? Quando tudo fica quieto, a família saiu, o emprego deu folga, e o tão sonhado encontro com o sofá descompromissado acontece? Aquele livro você já leu, todos os programas da TV já foram vistos, suas amigas foram embora para as respectivas casas. O único som que se ouve vem do seu peito, um som faminto que até então ficava abafado por todas as responsabilidades e horários e "prioridades". Esse som dá medo. O que será que ele quer? O que eu deixei para depois? Como em um desfoque de câmera, você enxerga em frente, mas não chega a reconhecer alguma coisa. Vem uma angustia diferente, não é aquela angústia do dia a dia, do stress, é um tipo mais sereno. De repente percebemos que mais assustador que o futuro é o presente. Esse não dá pra deixar pra depois. Como são bons os novos anos, as novas chances, já que a gente esquece que pode mudar tudo de novo e ser melhor mesmo em abril, julho, qualquer mês, temos janeiro que grita imperioso: você pode ser melhor!
Gosto de dizer que o trabalho faz nossos tempos de férias, feriados e afins terem a cor que eles têm, senão seria tudo despropósito. Gosto também de lembrar que é no ócio que temos boas chances de pensar. Parece óbvio, palavrinha ignorante que pretende pensar que uma coisa pode ser a mesma para todos. Não é óbvio. É agora.
Aufwiedersehen!
Gosto de dizer que o trabalho faz nossos tempos de férias, feriados e afins terem a cor que eles têm, senão seria tudo despropósito. Gosto também de lembrar que é no ócio que temos boas chances de pensar. Parece óbvio, palavrinha ignorante que pretende pensar que uma coisa pode ser a mesma para todos. Não é óbvio. É agora.
Aufwiedersehen!
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Dentro de uma caixa
Eu já havia ouvido falar dela, uma garota do interior de Santa Catarina que se misturava àqueles rostos germânicos. Ela morava na principal metrópole e capital da Bavaria, cidade que naquela época eu começava a chamar de lar. Eu já não me sentia sozinha naquele país e começava a ter conversas interessantes com aquelas pessoas que ia aos poucos descobrindo. Um dia eu conheci essa garota, e ambas éramos famintas pela vida, aquela vida que começava a se mostrar minha também. Ela conhecia todos os lugares, a língua e o jeito de viver por lá, e sem segurar nada pra si, dividiu comigo todos os segredos. Quando eu não pude voltar pra casa, ela me acolheu. E foi assim durante sete meses. Todo dia com a mesma alegria e carinho do primeiro dia. Ela ia comigo onde eu quisesse e me consolou por algumas vezes quando partiram meu coração. Naquela cidade que podia ser muito fria, ela foi minha família, já que eu não podia contar com a família que me hospedava. Juntas viajamos e dançamos e dividimos as maiores aventuras da minha vida.
Até o momento de partir ela me ajudou a arrumar as tantas malas e caixas que eu juntei durante aqueles 12 meses e um dia, segurou minha mão e foi a primeira a oferecer a carona que me levaria ao aeroporto. Pela primeira vez na vida eu não teria alguém para me levar, se não fosse por ela. Minha estadia na Alemanha foi mais doce e leve graças a essa catarinense.
Por não sei que razão, bem no final dessa história eu tive uma perda material, a última caixa com 20 kg de roupas, livros, sapatos e os objetos mais valiosos que não poderiam ir na carga total nunca foram enviados pelo correio como combinamos.
Eu nunca mais falei com ela.
Hoje eu não consigo lembrar o que havia naquela caixa, hoje eu só consigo lembrar que no frio e na noite ela me acolheu, e acolheu aos meus amigos.
Que em 2012 eu continue escolhendo a melhor parte do convívio com as pessoas, o resto pode ficar guardado dentro de uma caixa em algum lugar do mundo.
Aufwiedersehen!
Até o momento de partir ela me ajudou a arrumar as tantas malas e caixas que eu juntei durante aqueles 12 meses e um dia, segurou minha mão e foi a primeira a oferecer a carona que me levaria ao aeroporto. Pela primeira vez na vida eu não teria alguém para me levar, se não fosse por ela. Minha estadia na Alemanha foi mais doce e leve graças a essa catarinense.
Por não sei que razão, bem no final dessa história eu tive uma perda material, a última caixa com 20 kg de roupas, livros, sapatos e os objetos mais valiosos que não poderiam ir na carga total nunca foram enviados pelo correio como combinamos.
Eu nunca mais falei com ela.
Hoje eu não consigo lembrar o que havia naquela caixa, hoje eu só consigo lembrar que no frio e na noite ela me acolheu, e acolheu aos meus amigos.
Que em 2012 eu continue escolhendo a melhor parte do convívio com as pessoas, o resto pode ficar guardado dentro de uma caixa em algum lugar do mundo.
Aufwiedersehen!
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Uma história contada por mim
Oi bebê, prazer te conhecer, eu te amo. Sabe por que eu te amo sem te conhecer? Por que eu já sei quem você é. Eu sonho com você há muito tempo, quando eu brincava de boneca com a sua mãe. Eu não gostava muito das brincadeiras de boneca, mas eu gostava da sua mãe, minha prima-irmã, o que faz de você meu primo-sobrinho. Sua mãe tinha a coleção mais linda da Barbie com todos os acessórios desejados pelas meninas, até por mim que não gostava de bonecas. Sua mãe vinha com as bonecas a tiracolo, toda orgulhosa e eu sabia que ela levava jeito pra essa brincadeira, e eu sonhava em um dia brincar com ela de verdade, e foi ai na nossa infância que eu comecei a te amar.
Sua mãe sempre esteve ao meu lado, com ela eu tentei dar um trago em um cigarro e não consegui, e rimos juntas. Costumava imaginá-la como a ovelha negra da família, transgressora e cheia de vontade, essa é sua mãe que ao contrário do que se poderia imaginar cresceu, amadureceu e pagou todas as suas contas, conquistou respeito em uma cidade gigante que nunca imaginávamos morar, e para a nossa surpresa ficou careta. Uma careta muito legal, que mesmo três meses mais nova que eu, até hoje puxa minha orelha e me pede juízo. Sua mãe é bem folgada.
Mas deixa eu voltar um pouco essa história. Aos 18 anos seguimos caminhos diferentes. O trajeto Araras/Campinas, Campinas/Araras, com férias maravilhosas e cheias de desfile, clipes e eventos realizados na infância, não era mais o único que habitávamos, cada uma foi pra um lado. Mesmo assim estávamos sempre juntas, e como nos divertimos nessa época. Vieram os temidos 22 anos e ai precisamos encarar a vida, e desde então eu e sua mãe apanhamos bastante, aliás, sua mãe começou essa luta antes da sua tia aqui. Nesse meio tempo ela conheceu seu pai. E lógico, ela me contou sobre ele. Ela não estava muito a fim dele no começo viu, mas ele não desistiu, e com muita gentileza e companheirismo conquistou o coração da sua mãe. E assim eles continuam até hoje.
Muitos podem pensar que agora as coisas vão mudar, que sua mãe vai seguir para um lado, e eu, sua tia vai por outro. Eu também tenho medo. Mas acontece que eu te amo bebê, e amo sua mãe, e juntos vamos finalmente brincar na vida real, é pra isso que você vai nascer, é pra isso que nascemos.
Aufwiedersehen!
Sua mãe sempre esteve ao meu lado, com ela eu tentei dar um trago em um cigarro e não consegui, e rimos juntas. Costumava imaginá-la como a ovelha negra da família, transgressora e cheia de vontade, essa é sua mãe que ao contrário do que se poderia imaginar cresceu, amadureceu e pagou todas as suas contas, conquistou respeito em uma cidade gigante que nunca imaginávamos morar, e para a nossa surpresa ficou careta. Uma careta muito legal, que mesmo três meses mais nova que eu, até hoje puxa minha orelha e me pede juízo. Sua mãe é bem folgada.
Mas deixa eu voltar um pouco essa história. Aos 18 anos seguimos caminhos diferentes. O trajeto Araras/Campinas, Campinas/Araras, com férias maravilhosas e cheias de desfile, clipes e eventos realizados na infância, não era mais o único que habitávamos, cada uma foi pra um lado. Mesmo assim estávamos sempre juntas, e como nos divertimos nessa época. Vieram os temidos 22 anos e ai precisamos encarar a vida, e desde então eu e sua mãe apanhamos bastante, aliás, sua mãe começou essa luta antes da sua tia aqui. Nesse meio tempo ela conheceu seu pai. E lógico, ela me contou sobre ele. Ela não estava muito a fim dele no começo viu, mas ele não desistiu, e com muita gentileza e companheirismo conquistou o coração da sua mãe. E assim eles continuam até hoje.
Muitos podem pensar que agora as coisas vão mudar, que sua mãe vai seguir para um lado, e eu, sua tia vai por outro. Eu também tenho medo. Mas acontece que eu te amo bebê, e amo sua mãe, e juntos vamos finalmente brincar na vida real, é pra isso que você vai nascer, é pra isso que nascemos.
Aufwiedersehen!
sábado, 15 de outubro de 2011
Coisas que saem da análise
Eu tenho o dom de me esforçar, me esforçar muito mesmo para fazer tudo que eu faço da melhor forma e em todos os aspectos da vida, com a diferença que eu faço isso parecer natural. Tem pessoas que até me acham tranquila demais, zen demais, já fui definida até como desencanada. A verdade é que um medo me persegue, eu tenho muito medo de desaparecer. Eu até fico algumas vezes imaginando o meu velório, imaginando quais pessoas se importariam em aparecer por lá. Na infância eu sonhava em ser uma super heroína, primeiro a batgirl, antes é claro de apaixonar-me pelos mutantes do X-men. Toda a idéia da mutação genética fazendo com que eu me tornasse extraordinária sempre me fascinou, e eu sonhava em ter essa anomalia, em acordar um dia voando, ou com uma super força, ou com o poder de guiar a previsão do tempo. Algo nessa coisa de ser comum me enojava, e eu sempre busquei dentro dos meus limites de humana “perfeita”, me diferenciar. Eu não gostava de usar a roupa da moda, eu não gostava de escolher a mesma comida que o outro escolhia, e nem de ter a mesma opinião, até estar sempre com o mesmo grupo de pessoas me deixava desconfortável, eu precisava sempre de um lugar novo, um evento novo, uma nova data no calendário futuro. Durante esses vinte e poucos anos que eu vivi, tentado formar um modo de sobrevivência próprio, eu criei uma mutação psicológica que me fez capaz de distanciar das pessoas, para ao mesmo tempo observá-las. Eu consegui enfim realizar meu sonho de ser mutante. Eu sou a personificação do narrador onipresente da literatura, que vê toda a narrativa, mas dela não participa. Do meu próprio modo eu criei um mecanismo de controle, que desencadeou o meu fascínio pela comunicação e pelas relações públicas, pelos eventos e por juntar pessoas, debaixo desse alguém muito animado e integrador, havia na realidade um robô com medo de ser esquecido e desaparecer.
Agora com a maturidade eu não sou mais capaz de manter essa máscara, e como esse motor em curto circuito que recobra sua utilidade aos poucos, e começo a achar tudo muito injusto e algumas vezes apenas choro por não poder resolver na hora, para poder pensar novamente nisso no dia seguinte. E aí eu tento juntar um quebra cabeça de como gerir minha vida, juntando conceitos vomitados, desde catolicismo até a ética do bom cidadão, que não nos ensinam a lidar com sensações não previstas, de asco, desprezo, desespero, e solidão seguida de preguiça das pessoas, é tudo contraditório, é tudo irregular e não entra na minha lógica.
Eu sinto que vou desaparecer por que meu celular não toca mais aos feriados e fins de semana, eu sinto que vou desaparecer por que eu me tornei tão independente que meus pais confiam em mim a ponto de me deixarem só, exatamente do jeito que eu sempre quis. A ponto de minhas amigas não se preocuparem se eu entro e me prendo em meu quarto sozinha sem dizer nada, por que eu sempre fico feliz de novo. Eu me tornei um robô e agora tento com força retomar minha humanidade e descobrir como lidar com isso. Um coração que tenta se abrir demora até conseguir achar a chave geral.
Aufwiedersehen!
Agora com a maturidade eu não sou mais capaz de manter essa máscara, e como esse motor em curto circuito que recobra sua utilidade aos poucos, e começo a achar tudo muito injusto e algumas vezes apenas choro por não poder resolver na hora, para poder pensar novamente nisso no dia seguinte. E aí eu tento juntar um quebra cabeça de como gerir minha vida, juntando conceitos vomitados, desde catolicismo até a ética do bom cidadão, que não nos ensinam a lidar com sensações não previstas, de asco, desprezo, desespero, e solidão seguida de preguiça das pessoas, é tudo contraditório, é tudo irregular e não entra na minha lógica.
Eu sinto que vou desaparecer por que meu celular não toca mais aos feriados e fins de semana, eu sinto que vou desaparecer por que eu me tornei tão independente que meus pais confiam em mim a ponto de me deixarem só, exatamente do jeito que eu sempre quis. A ponto de minhas amigas não se preocuparem se eu entro e me prendo em meu quarto sozinha sem dizer nada, por que eu sempre fico feliz de novo. Eu me tornei um robô e agora tento com força retomar minha humanidade e descobrir como lidar com isso. Um coração que tenta se abrir demora até conseguir achar a chave geral.
Aufwiedersehen!
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