Eu lancei um livro há um ano. Faz quase três meses que eu não escrevo nadinha, nem um rabisco sequer. Sinto falta de elaborar sentimentos no papel, acontece que tem muita coisa acontecendo comigo. O Sinceros Devaneios foi um projeto possível de ser executado por que eu tinha um horário flexível, na época eu estava há dois anos pulando de freela em freela, tendo que aprender a lidar com coisas novas, pessoas e situações novas. Tem gente que curte esse tipo de emoção. Eu sei que não sou essa pessoa. E é isso que tenho feito constantemente durante esses 365 dias, entrado em contato profundo comigo mesma, e aprendendo a aceitar o que eu não sou capaz de fazer, algo como uma limpeza no guarda-roupa das habilidades possíveis da vida.
Eu arrumei um emprego fixo e tenho vivido desafios inimagináveis desde então, mas a melhor parte de tudo, é que eu fiz bons amigos nesse último ano. Descobri nesse ano também, que eu amo ficar em casa, Netflix se tornou a minha maior companhia e eu me joguei sem olhar pra trás em série depois de série. Teve outra coisa nesse ano, eu me apaixonei, e tenho quase certeza que foi a primeira vez que eu vivi isso até o fim, sem correr ou pedir arrego ou inventar desculpas. Como na primeira vez que eu consegui ficar embaixo da água quando criança, dessa vez eu mergulhei bem fundo e entreguei o meu coração a outra pessoa - o que pode parecer brega, mas é bem isso que acontece, um pouco do seu controle vai embora e isso é assustador.
Acontece que ele precisava ir embora, seguir um sonho antigo por um ano longe de mim. Engraçado que pouco tempo atrás eu fugiria dessa briga, eu entregaria a sorte pro mundo e diria boa sorte pra ele, diria como foi maravilhoso te-lo conhecido e esperaria o seu retorno acreditando que daria certo. Só que eu já sei que nessa vida não podemos entender como garantidas as coisas maravilhosas que encontramos, por que isso simplesmente não acontece sempre. Aliás, isso é raro. E então, eu mais uma vez mergulhei sem voltar à superfície e entendi que por mais difícil que pudesse ser, apostar nesse sentimento era a única sábia a se fazer naquele momento. E eu fiz, e toda essa coisa de namoro a distância vale um outro texto que eu ainda ainda estou tentando entender, talvez por que ainda não chegou ao fim. Um spoiler, tem sido uma das coisas mais difíceis que eu já fiz na vida!
Tenho pensado muito sobre escolhas, prioridades. No meu trabalho eu normalmente não tenho o tempo ideal, muito menos a situação ideal, aliás, produzir filmes tem tudo a ver com o imprevisto. Todo projeto subsequente se baseia em tentar evitar o erro cometido anteriormente, mas sempre sobra algum que escapa, e então, durante um ano eu venho acrescentando erros a serem evitados na minha lista de tropeços.
Outra das minhas grandes descobertas, é que as vezes a nossa não ação funciona melhor do que a pró-atividade tantas vezes pregada. Ela demanda maturidade, atenção e muito equilíbrio, e ela só é possível quando prestamos atenção nas pessoas, por que nada depende só de nós, nem mesmo a nossa própria vida. Vale escolher também não sofrer, não reclamar, muito menos falar mal dos outros. Não é questão de ser "bonzinho", é questão de energia, e tem a ver com a linha dos acontecimentos da vida, que são como uma maré, que segue um fluxo próprio. Nossos desejos podem ou não estar nesse fluxo, cabe a nós entender e comemorar quando sim, e deixar ir quando eles não estão na direção da maré. E é impressionante, ela, a maré, sempre trás de volta algo muito mais apropriado do que havíamos sonhado antes. Que 2016 nos trate todos bem.
Aufwiedersehen!!
E tem mais...
(...)
Um monte de coisa misturada..
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Ode à Bill
Ele nasceu hoje, há 59 anos, primogênito de uma fraternidade linda de seis homens no interior de São Paulo, seu nome originalmente seria Sergio. Filho de Cacilda e Dirceu, segurou seu irmão caçula no colo 19 anos depois, e cuidou dele como pai, mal sabia que já treinava para me receber 10 anos depois. Formou-se engenheiro civil com louvor, o primeiro da sala. É um desses caras boa praça, falador e piadista, dificilmente o ouvi sendo maldoso, e nas poucas vezes que o foi, ficou vermelho por ter aquele tipo de pureza própria de seres humanos especiais, resquícios de anjos que ficam na terra para nos dar algum alento. Interessou-se por política pelos melhores motivos, aqueles que esquecemos que existem, estampou seu rosto em santinhos que eu lembro segurar e distribuir quando criança, falou em showmícios quando esses ainda existiam, foi julgado, atacado e permaneceu firme até desapontar-se com os rumos do partido que escolheu. Nunca perdeu a fagulha da procura por um rumo melhor, uma atitude maior perante a vida. Não é apenas um otimista, é o otimista do mundo, muito por seu caráter de exatas, não enxerga apenas problemas, tateia entre eles as possibilidades e sempre as encontra e realiza.
Conheceu uma mulher, apaixonou-se e a conquistou com a força da delicadeza e do caráter. Viveu com ela, minha mãe, a maior história de amor que qualquer filme possa ousar contar, e ainda vive. Ele não se chama apenas Sergio, no final das contas seu pai o batizou também Evaldo por conta de um cantor famoso na época. Evaldo Sergio, uma composição de nomes questionável sem dúvida, mas o nome que sempre significou a rocha da minha existência, o lugar seguro pra onde eu posso voltar. O olhar sem julgamento de quem me ama, mesmo batendo seu carro algumas diversas vezes, mesmo quando me buscava nas festinhas e eu tinha bebido umas a mais, mesmo quando sabia que eu estava pegando um carinha novo, meu pai nunca me enxergou como posse dele, era e é ele a catapulta que me atira pro mundo, estimulando os meus sonhos mais loucos e os realizando comigo. E não importa quanto tempo eu fique fora sem retornar, na volta ele sempre vai estar com o seu abraço e beijo em cima da minha cabeça, a me chamar pra um papo sobre mil coisas, desde o enredo da última novela à política internacional. Difícil desmistificar a figura emblemática do pai herói, tive que faze-lo para o meu crescimento, para entender que eu precisava ir só, mas impossível mesmo é tentar traduzir o sentimento de orgulho e de imensa gratidão por ser filha de Evaldo.
Acho que nunca vou entender o que eu fiz pra ter esse privilégio, então sigo amando-o, e aproveitando todos os momentos possíveis ao seu lado.
Aufwiedersehen!!
Conheceu uma mulher, apaixonou-se e a conquistou com a força da delicadeza e do caráter. Viveu com ela, minha mãe, a maior história de amor que qualquer filme possa ousar contar, e ainda vive. Ele não se chama apenas Sergio, no final das contas seu pai o batizou também Evaldo por conta de um cantor famoso na época. Evaldo Sergio, uma composição de nomes questionável sem dúvida, mas o nome que sempre significou a rocha da minha existência, o lugar seguro pra onde eu posso voltar. O olhar sem julgamento de quem me ama, mesmo batendo seu carro algumas diversas vezes, mesmo quando me buscava nas festinhas e eu tinha bebido umas a mais, mesmo quando sabia que eu estava pegando um carinha novo, meu pai nunca me enxergou como posse dele, era e é ele a catapulta que me atira pro mundo, estimulando os meus sonhos mais loucos e os realizando comigo. E não importa quanto tempo eu fique fora sem retornar, na volta ele sempre vai estar com o seu abraço e beijo em cima da minha cabeça, a me chamar pra um papo sobre mil coisas, desde o enredo da última novela à política internacional. Difícil desmistificar a figura emblemática do pai herói, tive que faze-lo para o meu crescimento, para entender que eu precisava ir só, mas impossível mesmo é tentar traduzir o sentimento de orgulho e de imensa gratidão por ser filha de Evaldo.
Acho que nunca vou entender o que eu fiz pra ter esse privilégio, então sigo amando-o, e aproveitando todos os momentos possíveis ao seu lado.
Aufwiedersehen!!
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Um brinde às lembranças
Eu lembro da primeira vez em que eu senti o burburinho viciante de estar embriagada, tinha 15 anos, e misturado um drink baiano, o "capeta", com uma latinha de brahma suficientes para o alcance daquela sensação e do posterior anúncio orgulhoso do meu primeiro porre. Todas as ansiedades da adolescência pareciam sumir na passagem do líquido pela minha boca, a ascendência e a sensação de pertencimento eram intoxicantes. E aí veio a faculdade, e depois da faculdade a vida adulta com frustrações maiores do que eu poderia sonhar aos 15. A mistura do álcool com uma mente sensível e algumas bagagens a serem carregadas fazia com que eu me tornasse outra pessoa.
Aos 17 perdi um amigo, ex namoradinho afogado no mar, lembro de como sempre que eu bebia naquela época eu chorava chamando por ele. Eu não tinha maturidade, estava exposta aos meus sentimentos, e o álcool sempre lá como companhia, expondo o que existia dentro de mim e que eu não conseguia lidar. Hoje esses sentimentos escondidos não me assustam mais, aprendi a aceitar e a entender a pessoa que eu sou por inteiro, mas percebo também que na amnésia da festa do dia anterior, partes importantes da minha vida vão ficando pra trás, memórias que eu não estou pronta para perder entre casamentos, happy hours e aniversários, e conversas cheias de carinho com amigos, muitas que foram se perdendo ao longo desses quinze anos de bebedeira. Não sinto remorso ou falso moralismo pela minha história, sinto nostalgia por tantas palhaçadas improvisadas na bebedeira, quanta risada e histórias inesquecíveis não aconteceram? De qualquer forma, sinto mesmo que é hora de desacelerar, por que é muito divertido estar bêbado e fazer amizade e rir junto, mas também é muito divertido assistir à própria vida e ter consciência do que acontece naquele momento, e sobretudo, relembrar.
Não quero mais ver esse ciclo de esforço e esbórnia se repetindo, eu quero um tempo pra mim e para as minhas lembranças, e acredito que posso conceber não precisar mais de um líquido pra isso. O corpo humano vive de inércia, ele tende a perpetuar o movimento que está acostumado a repetir, demora para brecar a engrenagem, dói, mas uma vez que mudamos o percurso, mesmo que seja de forma abrupta e no meio do caminho, basta esperar que a engrenagem se readapte para continuar no sentido que se decide seguir. Uma cervejinha, uma taça de vinho, é decisão minha tomá-los, não quero mais concentrar a minha natural necessidade de extravagância no que bebo, tenho certeza que toda essa energia pode reverberar em outro sentido e com muito mais qualidade. Pelo menos por hoje.
Aufwiedersehen!
Aos 17 perdi um amigo, ex namoradinho afogado no mar, lembro de como sempre que eu bebia naquela época eu chorava chamando por ele. Eu não tinha maturidade, estava exposta aos meus sentimentos, e o álcool sempre lá como companhia, expondo o que existia dentro de mim e que eu não conseguia lidar. Hoje esses sentimentos escondidos não me assustam mais, aprendi a aceitar e a entender a pessoa que eu sou por inteiro, mas percebo também que na amnésia da festa do dia anterior, partes importantes da minha vida vão ficando pra trás, memórias que eu não estou pronta para perder entre casamentos, happy hours e aniversários, e conversas cheias de carinho com amigos, muitas que foram se perdendo ao longo desses quinze anos de bebedeira. Não sinto remorso ou falso moralismo pela minha história, sinto nostalgia por tantas palhaçadas improvisadas na bebedeira, quanta risada e histórias inesquecíveis não aconteceram? De qualquer forma, sinto mesmo que é hora de desacelerar, por que é muito divertido estar bêbado e fazer amizade e rir junto, mas também é muito divertido assistir à própria vida e ter consciência do que acontece naquele momento, e sobretudo, relembrar.
Não quero mais ver esse ciclo de esforço e esbórnia se repetindo, eu quero um tempo pra mim e para as minhas lembranças, e acredito que posso conceber não precisar mais de um líquido pra isso. O corpo humano vive de inércia, ele tende a perpetuar o movimento que está acostumado a repetir, demora para brecar a engrenagem, dói, mas uma vez que mudamos o percurso, mesmo que seja de forma abrupta e no meio do caminho, basta esperar que a engrenagem se readapte para continuar no sentido que se decide seguir. Uma cervejinha, uma taça de vinho, é decisão minha tomá-los, não quero mais concentrar a minha natural necessidade de extravagância no que bebo, tenho certeza que toda essa energia pode reverberar em outro sentido e com muito mais qualidade. Pelo menos por hoje.
Aufwiedersehen!
terça-feira, 22 de setembro de 2015
Ela tinha tanto potencial...
Soube da triste história daquela menina?Qual menina?Aquela, acredito que na época tinha por volta de 30 anos, veio do interior, viajou pela Europa, aprendeu alemão, entrou para o mercado publicitário em São Paulo, mas não deu certo, você sabe quem é! Não, não estou lembrado, explique melhor sua vida. Ok, ok, lá vai.
Ela nasceu primogênita de uma família amorosa do interior de São Paulo no mês de agosto e por isso gosta muito de pensar em si mesma e em suas decisões. Muito por isso também inventou de escrever e até lançou um livro sozinha, já que nenhuma editora a aceitou. Essa menina, você tinha que vê-la, difícil encontrar alguém mais confiante, não existia um "não" que a segurasse, ela fazia simplesmente tudo que tinha vontade no limite da obediência apreendida na sua família católica dentro do lar amoroso em que vivia. Nenhum homem conseguiu tirar muito mais do que um dia de lágrimas dela, sempre entendeu, por si só, que poderia seguir em frente, muito mérito da sua mãe que ensinava que "se não está te dando a atenção que merece é por que não vale a pena!", e nessa lógica fantástica ela seguiu sem perder muito tempo com nenhum deles, aproveitando cada um dos segundos de oportunidades, e risadas, e viagens, e amigos que encontrava como possibilidades pelo caminho. Essa menina sempre foi gulosa, nada bastava! Comida, leitura, filme, bebida...eita vida boa que ela construiu. Agora precisa ver que judiação, tem amigas a décadas, um bom emprego, paga suas contas e mora em um apartamento confortável com uma amiga de infância, tem um bom cérebro até, mas engordou, uns 10 kgs do ano passado pra cá. Uma judiação ver uma menina com tanto potencial acabando assim, acima do peso. Ontem mesmo ela resolveu várias questões em seu trabalho em um curto espaço de tempo, questões bem complexas aliás, mas de que adianta se o vestido aperta, sua barriga aparece proeminente...triste fim.
Aufwiedersehen!
Ela nasceu primogênita de uma família amorosa do interior de São Paulo no mês de agosto e por isso gosta muito de pensar em si mesma e em suas decisões. Muito por isso também inventou de escrever e até lançou um livro sozinha, já que nenhuma editora a aceitou. Essa menina, você tinha que vê-la, difícil encontrar alguém mais confiante, não existia um "não" que a segurasse, ela fazia simplesmente tudo que tinha vontade no limite da obediência apreendida na sua família católica dentro do lar amoroso em que vivia. Nenhum homem conseguiu tirar muito mais do que um dia de lágrimas dela, sempre entendeu, por si só, que poderia seguir em frente, muito mérito da sua mãe que ensinava que "se não está te dando a atenção que merece é por que não vale a pena!", e nessa lógica fantástica ela seguiu sem perder muito tempo com nenhum deles, aproveitando cada um dos segundos de oportunidades, e risadas, e viagens, e amigos que encontrava como possibilidades pelo caminho. Essa menina sempre foi gulosa, nada bastava! Comida, leitura, filme, bebida...eita vida boa que ela construiu. Agora precisa ver que judiação, tem amigas a décadas, um bom emprego, paga suas contas e mora em um apartamento confortável com uma amiga de infância, tem um bom cérebro até, mas engordou, uns 10 kgs do ano passado pra cá. Uma judiação ver uma menina com tanto potencial acabando assim, acima do peso. Ontem mesmo ela resolveu várias questões em seu trabalho em um curto espaço de tempo, questões bem complexas aliás, mas de que adianta se o vestido aperta, sua barriga aparece proeminente...triste fim.
Imagem: Picasso – Mulher ao Espelho
Aufwiedersehen!
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
Precisamos falar sobre mansplaining
"Querida, veja bem..."
"Não linda, é assim..."
"Fica calma, deixa eu te explicar..."
Essas são algumas das expressões mais caricaturais para demonstrar o mansplaining, que é um termo existente somente em inglês e denomina uma atitude que os homens têm em relação às opiniões femininas, julgando-se superiores na comparação de gênero especificamente, não tem nada a ver com experiência, estudo, nada disso. É algo que acontece muito nas universidades, vide imagem abaixo.
Se eu pudesse traduzir porcamente para o português, o mansplaining seria um tipo de condescendência, uma atitude parecida com pena, quando você subjuga o seu interlocutor, algo muito contraproducente em qualquer circustância.
Nessa caso, como já dito, há um recorte de gênero, e que acontece há séculos. O Mansplaining parte do princípio de que a mulher é inferior, por ser mulher, um ser humano incapaz no momento em que recebe o seu segundo X genético.
Essa é uma atitude muito pouco falada e conhecida, em contraponto ao quanto ela acontece, e soa como algo comum por que é comum mesmo, infelizmente.
Eu quis trazer esse assunto a partir do momento em que comecei a ver homens que me são queridos, e que têm um coração generoso fazendo mansplaining com suas companheiras e amigas. Assim como no patriarcalismo, o mainsplaining que é um produto desse mesmo sistema, é o que deve ser combatido e não os homens. É importante reconhecer a existência dele para que na próxima vez em que a sua esposa/namorada/amiga/colega emitir a opinião dela sobre qualquer tema, você homem, possa fazer um esforço extra construção social de ouvi-la como a um igual, parece simples, mas não é não! Acredito na competência de vocês, vamos parar com essa porcaria de mansplaining.
Para maiores informações: http://mansplained.tumblr.com/
#ficaadica e Aufwiedersehen!!
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