Peguei o primeiro ônibus depois o segundo ônibus. Uma hora sem atraso depois estava em casa. Do ponto mais uns 100 metros no escuro da noite, eu vou ignorando a segurança, empunhando uma chave como escudo protetor placebo de menina na cidade grande. A rua escura me abraça e me empurra novamente e me salva pra dentro do prédio. Um prédio que mais parece um sobrado de cortiço arrumado. Esse cortiço que nos providenciou boa localização, bom preço e conforto por um ano. Dentro das paredes verdes bebê nos adaptamos mais uma vez nessa vida.
Na necessidade, a casa do sobrado foi perfeita. Tinha metrô, supermercado, amigas irmãs, e era grande de apartamento antigo como a gente queria. Tinha TV que nunca pegou bem e uma antena que se esforçava e quebrou nosso galho. Tinha também barulho de ônibus, claridade no rosto, um sono ruim que chegou uma hora que não deu mais.
E dai, como quem acorda exigindo champagne com queijo bree, não suportei mais a distância, as duas corridas de transporte coletivo, o moço vizinho que não fazia nada alem de ficar parado na frente da porta pra ver quem vai e volta, o menino parecido com o desenho do Pequeno Principe que cruzava comigo toda manhã voltando da natação, o supermercado mais próximo que era sujo, a locadora que funcionava no horário ruim, e tudo o mais me irritava.
Era vespera da mudança pra casa nova e pro quarto que só seria meu. Pela última vez eu peguei os dois ônibus, pela última vez eu subi os lances de escada, o mesmo lance que me derrubou por duas vezes a machucar meu popô. Pela última vez eu passei pela Igreja no sentido contrário ao metrô e cheguei na Academia de Natação, e abracei minha professora, falei da vida, da mudança e das finanças, e agradeci por ela ter deixado nesse quase um ano eu nadar sem pressão e sem série de oito.
Me despedi.
O comichão da mudança, aquela página vasta e em branco me consumiu e eu sorri.
Aufwiedersehen!!
E tem mais...
(...)
Um monte de coisa misturada..
terça-feira, 19 de abril de 2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Mana
Lembro que te conheci há sete anos, era março. Você era uma menina magrela com jeans altos meio antiquados pra época do cofrinho aparente, tinha os cabelos em um tom loiro escuro presos em coque, usava brincos delicados e dourados mais uma corrente de ouro por cima da blusinha comportada, onde balançava a metade de um rosto. Ao seu lado, outra corrente idêntica pendia com a parte que faltava. Seu escolhido de hoje, ontem te completava em um abraço. Aquela cena está gravada, assim como a evolução das impressões desse dia até nosso relacionamento na vida adulta.
Dificil pensar em alguma coisa que não fizemos juntas. Tantas vezes nas minhas repetidas histórias contadas, esqueço de te incluir no discurso, e você me chama a atenção e me diz “Eu tava junto!”. Inútil pensar que você estava, quando por boa parte desses últimos anos você se tornou um extensão de mim e vice e versa. Uma dupla, uma parceria, uma coisa fraternal. Duas irmãs grandes e muito jovens escolhendo uma casa para morar. Duas irmãs chorando ao perceber como o mundo é complicado, e como pagar contas dá trabalho, pra em seguida tomar uma cerveja assistindo à sessão da tarde. Duas irmãs se divertindo, e rindo, e dançando esquisito, e rindo mais um pouco. Duas irmãs procurando emprego, e trabalhando juntas pra ganhar nada.
Os conselhos antes de dormir, a ansiedade na época de ir embora, de deixar pra trás aquilo que se tornou o nosso sonho possível e realizado, a faculdade que pode não ter sido a certa, mas que no final das contas juntou os nossos caminhos. Matão, Araras, Alemanha, Estados Unidos, São Paulo.
Parece um presente, esse presente que fez do nosso medo maior em 2007, uma coisa que não deu certo. A nossa separação.
Sete anos se foram, e que orgulho, e que felicidade, e só um tiquinho de nostalgia ao pensar em tudo que a gente viveu.
Você escolheu um futuro lindo. Aquele que já estava traçado há 10 anos, ao lado do melhor homem. A mim agora, cabe dizer te amo e boa sorte, tudo de mais lindo no começo dessa nova caminhada.
Hoje te vi sair da casa que era nossa, perfumada e sofisticada com seus cabelos lisos, repicados e soltos. Agora continuamos, cada uma no seu quarto depois de seis anos juntas.
Aufwiedersehen!
Dificil pensar em alguma coisa que não fizemos juntas. Tantas vezes nas minhas repetidas histórias contadas, esqueço de te incluir no discurso, e você me chama a atenção e me diz “Eu tava junto!”. Inútil pensar que você estava, quando por boa parte desses últimos anos você se tornou um extensão de mim e vice e versa. Uma dupla, uma parceria, uma coisa fraternal. Duas irmãs grandes e muito jovens escolhendo uma casa para morar. Duas irmãs chorando ao perceber como o mundo é complicado, e como pagar contas dá trabalho, pra em seguida tomar uma cerveja assistindo à sessão da tarde. Duas irmãs se divertindo, e rindo, e dançando esquisito, e rindo mais um pouco. Duas irmãs procurando emprego, e trabalhando juntas pra ganhar nada.
Os conselhos antes de dormir, a ansiedade na época de ir embora, de deixar pra trás aquilo que se tornou o nosso sonho possível e realizado, a faculdade que pode não ter sido a certa, mas que no final das contas juntou os nossos caminhos. Matão, Araras, Alemanha, Estados Unidos, São Paulo.
Parece um presente, esse presente que fez do nosso medo maior em 2007, uma coisa que não deu certo. A nossa separação.
Sete anos se foram, e que orgulho, e que felicidade, e só um tiquinho de nostalgia ao pensar em tudo que a gente viveu.
Você escolheu um futuro lindo. Aquele que já estava traçado há 10 anos, ao lado do melhor homem. A mim agora, cabe dizer te amo e boa sorte, tudo de mais lindo no começo dessa nova caminhada.
Hoje te vi sair da casa que era nossa, perfumada e sofisticada com seus cabelos lisos, repicados e soltos. Agora continuamos, cada uma no seu quarto depois de seis anos juntas.
Aufwiedersehen!
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Os mesmos devaneios...
É uma manhã nublada com a garoa típica da Paulicéia desenfreada. Tenho medo desse trânsito que não anda. Acidente?Reforma na pista?Não...é muito carro.
Um paradinho atrás do outro no cúmulo dos nove milhões. Uma cidade de carros, uma cidade grande.
Do fim de semana trago bons fluídos...amigas, risadas, cerveja e espetinhos, nem o Faustão pra estragar tanta coisa boa e de qualidade.
Ah como seria bom se tudo isso bastasse!Mas bicho esquisito que somos, bicho nunca completo, ainda mais na qualidade feminina, sentimos alguma falta em algum
momento. A falta do Falo cochichou minha Psicanalista. Tá bom Freud, tá bom. Sentimos falta sim, de carinho, de cuidado, e de algo ainda mais simples,
mas que não pode ser encenado: interesse. Nossos amigos querem ajudar, nos aconselham, contam, pedem que tenhamos paciência, que não pressionemos ninguém que
seja, apenas solícitas, sem deixar de curtir a vida, que esperemos por eles ao modo das mulheres que esperavam com um prato de comida extra todas as noites por seus maridos
que lutavam pela Terra. Eu daria uma péssima mulher de soldado. Eu quero presença, por mínima que seja. O nosso conselheiro não sabe, que da falta de interesse alheia, surge a nossa. De repente tudo faz sentido. Eu posso querer mais. Eu posso não querer esperar até que surja um interesse. Eu quero querer mais!
As mídias sociais que nos separam de lados opostos e mecânicos, que na constante comunicação cria ruídos sutis que acarretam tardiamente em problemas maiores de mal
entendidos permanentes, também podem ser utilizadas para o bem. Um ex bonitão no msn, conversas de "catching up", besteiras necessárias de lisonja, ele acaba de contar do namoro e mesmo assim me convida pra uma cerveja qualquer dia desses, homens...tudo no vazio, tudo superficial, quanto mais melhor...
Eu não quero essa cerveja sem base, eu não quero esse interesse torto.
Eu quero mais.
Aufwiedersehen!
Um paradinho atrás do outro no cúmulo dos nove milhões. Uma cidade de carros, uma cidade grande.
Do fim de semana trago bons fluídos...amigas, risadas, cerveja e espetinhos, nem o Faustão pra estragar tanta coisa boa e de qualidade.
Ah como seria bom se tudo isso bastasse!Mas bicho esquisito que somos, bicho nunca completo, ainda mais na qualidade feminina, sentimos alguma falta em algum
momento. A falta do Falo cochichou minha Psicanalista. Tá bom Freud, tá bom. Sentimos falta sim, de carinho, de cuidado, e de algo ainda mais simples,
mas que não pode ser encenado: interesse. Nossos amigos querem ajudar, nos aconselham, contam, pedem que tenhamos paciência, que não pressionemos ninguém que
seja, apenas solícitas, sem deixar de curtir a vida, que esperemos por eles ao modo das mulheres que esperavam com um prato de comida extra todas as noites por seus maridos
que lutavam pela Terra. Eu daria uma péssima mulher de soldado. Eu quero presença, por mínima que seja. O nosso conselheiro não sabe, que da falta de interesse alheia, surge a nossa. De repente tudo faz sentido. Eu posso querer mais. Eu posso não querer esperar até que surja um interesse. Eu quero querer mais!
As mídias sociais que nos separam de lados opostos e mecânicos, que na constante comunicação cria ruídos sutis que acarretam tardiamente em problemas maiores de mal
entendidos permanentes, também podem ser utilizadas para o bem. Um ex bonitão no msn, conversas de "catching up", besteiras necessárias de lisonja, ele acaba de contar do namoro e mesmo assim me convida pra uma cerveja qualquer dia desses, homens...tudo no vazio, tudo superficial, quanto mais melhor...
Eu não quero essa cerveja sem base, eu não quero esse interesse torto.
Eu quero mais.
Aufwiedersehen!
quarta-feira, 30 de março de 2011
Existe cotidiano pra gente?
Eu sou uma pessoa cismada. Tendo a cismar com algo específico em determinada época, pode ser qualquer coisa, uma ideia, um filme, um livro, um lugar, a mesma coisa pra música. Posso ser considerada uma eclética de carteirinha, escutei na primeira adolescência ao rock do Kiss e Pantera, logo enjoei e peguei asco, passando uma boa temporada, talvez a maior parte da minha "formação musical" com o samba, aquele de raiz venerado pelo mundo todo, com Leci Brandão, Jorge Aragão, Fundo de Quintal e outros. No que se pode dizer de pós adolescência fui descobrindo o que se tornaria uma bela "crush" que ainda perdura com o indie rock do The Killers, Arctic Monkeys, The Strokes e todos esses moleques talentosos. Nesse ínterim também conheci os junkies americanos e pacíficos dos anos 70, que dentre todos os sons são os que menos risco correm de me enjoar, com Jimi Hendrix, The Doors, e Janis Joplin...Lá no velho continente seguem como um tipo de seita pessoal light, lógico The Beatles. Toda essa introdução que acabou se estendendo foi para contar que a minha atual obsessão é Chico Buarque. Ouvi quando era criança e meu pai tinha a mania irritante de colocar o som alto nas manhã dos fins de semana, e talvez por isso não me agradava. Cresci e li quase todos os seus livros, conheci uma banda pernambucana que toca seus som com uma pegada maracatu "Seu Chico", mas há duas semanas resolvi colocar o próprio mestre pra tocar no celular, no caminho do trabalho ou pra qualquer lugar, e pronto, cismei! Ando numa fase brasileira forte, acabo de me recuperar do Lobão, e agora só quero saber do Chico.
Tem uma coisa bem divertida que eu costumo fazer, discordar de gênios...sei lá, me sinto com personalidade, por que né?Quem sou eu mesmo? Tem uma música muito famosa do Chico, "Cotidiano", e é uma das minhas preferidas, pela melodia em si e por que Chicão é um escritor de mão cheia e escolhe as palavras como ninguém, retirando, como diriam os mestres literatos, o leite da pedra. Estava eu ouvindo à Cotidiano pela centésima vez na semana, cantando feliz da vida, quando pensei, que a história não me convencia. Ele fala da esposa que todo dia faz tudo sempre igual, como todos sabem. Fiquei pensando, que hoje desde a hora que eu acordei eu tive milhões de pensamentos opostos, o que eu penso sobre o segredo do universo numa hora, na outra se vira pelo avesso, nós mulheres somos complexas por demais...pensamos muito...imaginamos demais...impossível conceber alguma de nós que repita todos os dias a mesma ação. As vezes uma calça amarrotada pode estragar a nossa manhã, ou um olhar feio da vizinha tirar nossa fome, nosso humor não segue uma linha racional, nós nos metamorfoseamos em looping infinito para não entrar no marasmo, mesmo que o marasmo seja o nosso sonho por alguns instantes. Instantes e momentos, é disso que vivem as mulheres. Desculpa Chico, te amo.
Aufwiedersehen!
Tem uma coisa bem divertida que eu costumo fazer, discordar de gênios...sei lá, me sinto com personalidade, por que né?Quem sou eu mesmo? Tem uma música muito famosa do Chico, "Cotidiano", e é uma das minhas preferidas, pela melodia em si e por que Chicão é um escritor de mão cheia e escolhe as palavras como ninguém, retirando, como diriam os mestres literatos, o leite da pedra. Estava eu ouvindo à Cotidiano pela centésima vez na semana, cantando feliz da vida, quando pensei, que a história não me convencia. Ele fala da esposa que todo dia faz tudo sempre igual, como todos sabem. Fiquei pensando, que hoje desde a hora que eu acordei eu tive milhões de pensamentos opostos, o que eu penso sobre o segredo do universo numa hora, na outra se vira pelo avesso, nós mulheres somos complexas por demais...pensamos muito...imaginamos demais...impossível conceber alguma de nós que repita todos os dias a mesma ação. As vezes uma calça amarrotada pode estragar a nossa manhã, ou um olhar feio da vizinha tirar nossa fome, nosso humor não segue uma linha racional, nós nos metamorfoseamos em looping infinito para não entrar no marasmo, mesmo que o marasmo seja o nosso sonho por alguns instantes. Instantes e momentos, é disso que vivem as mulheres. Desculpa Chico, te amo.
Aufwiedersehen!
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Cérebro nostálgico
"Olha bem o que você tá falando!"- alertava-me meu irmão em relação a algum assunto de extrema importância, que eu já esqueci o que era. Que coisa chata!Ele estragava minha oratória no ato..."deixe-me terminar pelo menos, que até eu posso mudar de ideia no final e negar tudo outra vez". Meu irmão não é como eu. Ele leva a sério, se aprofunda, se preocupa mais também. Sexta-feira ele se formou, terminou um ciclo muitos diriam, começou a tortura e acabou a mamata outros pensariam baixo. Eu voltei pro começo de 2008, na minha formatura. Como esse dia ficou distante, bem como todos os anos de universidade. Dizem que o cérebro é sábio ao priorizar as lembranças recentes às antigas, um modo prático de seguir com a rotina, o dia a dia, e focar no que realmente interessa para a nossa sobrevivência prática: a nossa realidade atual. Mas como lamento por não lembrar-me de tudo. Do cheiro da grama da Unesp de Bauru naquele ginásio quente de fevereiro..do nome da tia da cantina, do rosto do senhor da biblioteca e dos recados estranhos que líamos no banheiro inóspito da faculdade. Essa tristeza deve ser a tal da nostalgia batendo no peito. E se o cérebro escolhe por focar no presente, que orgão inventou a nostalgia que contradiz essa decisão em momentos como esse do fim de semana? Talvez seja um "chorinho" do cérebro mesmo ...um brinde para lembrarmos do que somos feitos, quando a gente pára e consegue um suspiro para olhar lá pra trás. Além dos objetos que se tornam queridos, ficaram pessoas que ainda hoje seriam amigas se não fosse o tempo. Às vezes nem mesmo distantes, nem mesmo fora de alcance, apenas por algum acaso separadas de nós, e ao reencontra-las sentimos por não conseguir, mesmo que com muita boa vontade, aquela intimidade solta de um dia.
Aufwiedersehen!
Aufwiedersehen!
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