E tem mais...
(...)
Um monte de coisa misturada..
sábado, 19 de janeiro de 2013
O ontem que vive no hoje
Texto de agradecimento recuperado do meu trabalho de conclusão de curso. (Unesp Bauru - nov/2007).
Fico feliz de ler algo que eu escrevi há cinco anos e ainda me reconhecer nessas linhas.
"São pessoas maravilhosas, esses indivíduos que fortuitamente eu encontrei na caminhada da vida, e que espero encontrar na potencial evolução da profissão escolhida. Formei uma família querida, dividi tormentos que só me ajudaram a amadurecer, momentos ícone da minha vida. Foram apenas mais de 1200 dias, porém dias que com certeza marcaram minha identidade impreterivelmente. O sentimento que carrego é de orgulho, de felicidade e respeito que ficarão para sempre. Aos meus queridos e talentosos colegas, eu agradeço a tudo que pude compartilhar, e ao enriquecimento decorrente da observação de cada um deles. Ás mulheres maravilhosas, ao modo característicos de cores fortes e frias, cada uma a seu modo, com as quais eu percorri esse caminho, minhas amigas e colegas queridas (“Nossos destinos foram traçados na maternidade!”).Às minhas companheiras de república, agradeço pelas discussões, pelos debates calóricos durante a tarde, pelo delicioso pós-balada, pelo ombro acolhedor, pelas chamadas de atenção e sinceridade, e por compartilhar comigo de suas potencialidades especiais. Amo vocês do fundo do meu coração e é pra sempre. Aos muitos amigos, obrigada pelas risadas, pelas tardes à toa, e pelos encontros que foram e ainda virão."
Aufwiedersehen
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Sóbria
Seria 2013 um ano de sobriedade? Não aquele principio de sanidade alcoólica - mesmo que seja interessante exercer essa atividade depois do aumento da multa da lei seca - falo de um ponto crucial na vida de um adulto, quando este se sente formado como tal, um adulto. Estarei eu, sóbria? Depois de passar pela segunda puberdade, fase que devia ser mais estudada pelos especialistas em crescimento, e fenômeno que pude assistir de camarote dentro da minha cabeça e também do lado de fora através de amigos e familiares, depois que a euforia do término da faculdade passa, depois de cair no mundo real e ver que a vida não se resolve quando se tem dinheiro no bolso e uma rotina confortável. Eu vi um prenúncio da era da gula que mistura com a dúvida, muita dúvida, a confiança com a insegurança, é uma oscilação entre o que já fomos e o que queremos ser, o presente fica lá, meio solto, já não somos mais invencíveis, muito pelo contrário. A ideia de formar a sua própria família começa naturalmente, senão biologicamente, a fazer parte dos pensamentos. Passamos a nos perguntar onde estaria um companheiro perfeito. Perfeição, sempre essa bandida. Esses são temas sobre os quais tenho debatido a exaustão com a minha analista, minha couch do viver, e ela bate sempre na tecla do constante abandono da fantasia, algo muito presente na vida de uma garota que sempre curtiu viver no mundo da Lua. As idealizações caem, o principe desce do cavalo branco que agora assemelha-se mais a um jegue magrelo, a alma gêmea é apenas a esperança de encontrar alguém que segure a sua mão. Eu sinto uma renovação cansada, como se agora eu resolvesse uma equação super complexa. O mundo é isso mesmo que eu vejo, e nada mais. Não tem feitiço, não tem mistério, não tem nem um pouco de glamour, são apenas várias pessoas interessantes ou não, com muitos defeitos e pasme, tantas ou maiores dificuldades para levar uma vida que considerem realmente boa. Tem mais essa, existe um mundão pra fora de nós mesmos, isso é desanimador. Sinto uma grande nostalgia de enxergar esse mundo sob a antiga ótica fantástica, mas como em uma cirurgia de miopia pareço enxergar tudo exatamente do jeito que é, e não tem como voltar atrás. Inês é morta. Estamos no Matrix. Enfim.
Aufwiedersehen!
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Marketing pessoal
Eis um quesito que tenho pensado à exaustão nos últimos tempos: o marketing pessoal. Não aquele pregado em palestras com gurus empresariais, não, digo aquele marketing pessoal do boteco, do nosso dia a dia. Tenho reparado como as pessoas que conheço, as bem sucedidas e empreendedoras em especial, tendem a falar muito de si. Não de maneira exaustiva e incoveniente, muito pelo contrário, elas costumam falar mais em meio a causos e histórias engraçadas que só provam quão interessantes elas são. Eu sempre achei esquisita essa mania de falar de si. Com amigos é comum, mas já me deparei várias vezes com situações sem intimidade, um vestiário de academia, um banheiro de balada (ok, mulheres gostam de chorar as mágoas no banheiro), em que me vi dando conselhos amorosos a uma total desconhecida (justo eu!). Sempre achei divertido isso, mas invariavelmente na sequência, depois de deixar minha desconhecida nova amiga ir, eu ficava com aquela nóia, pensando o que faz uma pessoa entregar toda a sua vida e suas intimidades a um total desconhecido. Por algum motivo, na superfície, eu considerava essa atitude infantil, até inconsequente, mas hoje percebo que na verdade eu admirava essas pessoas e a facilidade que elas tinham de simplesmente se abrirem assim, sem anestesia na presença de qualquer ser humano pronto a ouvir. Lembro-me de um episódio, e eu não vou entrar na questão da cidade do interior e tudo o mais, um pouco antes de ir para a Alemanha e todo aquela arrumação antes da partida, e meus pais orgulhosos com a primogênita que iria desbravar o mundo (lavando bunda de criança, mas mesmo assim...), e como eles gostavam de comentar com quem encontrassem na rua sobre a tal novidade. Um dia, na minha locadora preferida de Araras, lugar que praticamente vivia nos sofridos 5 meses de desemprego pós faculdade, me vi repreendendo minha mãe depois de ela contar a mais uma pessoa sobre a minha viagem. Naquele momento eu achei que fazia a coisa certa, eu pensava estar protegendo minha intimidade, talvez eu tenha me dado muito crédito, afinal, para quem minha intimidade seria tão importante assim, a não ser minha mãe, que se entristeceu na época com a repreensão, penso as vezes que pra ela foi um velado "não se mostre orgulhosa!". Sim, podemos ser desnecessários com louvor.
A verdade é que eu aprendi comigo mesma em algum momento que não é educado falar de si, o que me fez viver até então, sem pedir confete, sem pedir feedback, sem conseguir receber de verdade um elogio.
Engraçado alguém que escreve um blog chamado "sinceros devaneios", pensar que não fala de si, alguém deve se perguntar. A verdade é que eu falo do meu pensamento em relação as coisas, então o que eu realmente mostro são meus pensamentos, mas um ser humano não é a junção de muitos pensamentos.
Continuo pensando nisso, para em um próximo post mais maduro, realmente falar sobre mim.
Aufwiedersehen!!
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
40 meses...
Eu nunca vou esquecer o meu primeiro dia de trabalho, no primeiro emprego sério da minha vida. Eu fui recebida por uma moça muito simpática que me mostrou minha sala, que eu dividiria com minhas duas chefes, mulheres que naquela altura da vida eu via com um medo enorme banhado de respeito. Uma delas tinha acabado de ter uma filha, e a outra era uma daquelas cidadãs do mundo, com um currículo enorme e estrelado, que curiosamente na vida pessoal assemelhava-se muito a essa caipira, na época uma menina de 24 anos, que vos fala. É sempre chato o começo. Você não conhece as piadas por que internas, você não conhece as ironias, as frases nas entrelinhas. Você não tem aliados. Você está sozinho. Eu tenho poucas reservas na vida, mas uma em especial é o receio de ter refeições com pessoas com as quais eu não tenho muita intimidade. Nesse primeiro dia eu fui chamada para almoçar, e resolvi aceitar muito nervosa o convite, ficaria chato não faze-lo, eram meus chefes, cinco sócios no total, e eu no meio deles, toda trêmula e medindo minhas palavras. Eu tenho dificuldade para medir as minhas palavras, mal sabia eu que de três anos pra frente daquele almoço, medir palavras, e saber lidar com sentimentos extremos seria uma habilidade conquistada com muito stress e alguns choros abafados no banheiro.
Nesse almoço do primeiro dia, a cara de pau, a moleca travessa de Araras, recém saída da faculdade de relações públicas no centro-oeste paulista, tinha isso mais uma vida na Alemanha no currículo. Nada ruim para aquela altura da vida, mas eu deseja mais, eu queria poder dizer mais, como sempre, eu pensava que podia ser bem melhor. O que eu teria pra falar? Eu me lembro que peguei o meu prato, e tive a permissão de sentar à mesa com os adultos, e como no primeiro ato de um filme, fui sendo apresentada àquelas personagens. E como no primeiro ato de um bom filme, eu fui me afeiçoando completamente por cada um deles. Eu lembro de ter pensado, rezado baixinho talvez, para que aquele trabalho desse certo, para que eu conseguisse ficar amiga daquelas pessoas. Engraçado pedir isso com esse fim, era um trabalho afinal de contas, algo profissional, sério. Eu ainda não tinha a ambição da carreira, a ambição de São Paulo, de pagar por roupas e restaurantes finos. Eu estava chegando nesse mundo, a pequenina Vila Madalena era grande e glamourosa na época, inalcançável. Eu só queria criar outra família, por que é assim que eu funciono. Eu sou uma criadora de famílias, assim que eu cresci e aprendi a ser feliz, em meio à família, e talvez seja esse o sentido da minha vida.
Hoje eu percebo que esse filme que desde o princípio me pareceu tão promissor, é realmente uma daquelas séries com muitas temporadas, daquelas séries tão maravilhosas que o público clama para que nunca acabe.
Se eu consegui ficar amiga deles...
Aufwiedersehen!
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Você trocaria de lugar?
Estávamos em família esses dias comentando como as propagandas publicitárias da atualidade estão fracas, e então começamos a pensar quais as melhores - ou menos piores - que assistimos nos últimos tempos. Lembramos do exemplo das Havaianas, tem o filme da francesa, que se anima olhando uma revista sobre o Brasil, passando pelos pontos turísticos, as brasileiras sandálias anunciadas, até as mulheres trajando seus conhecidos, mas pouco vivenciados minúsculos biquinis, então ela muda de ideia e decide falar para o marido que eles vão passar a lua de mel na verdade em Veneza. Tem a outra do Cauã Reymond com o cachorro, todas com uma mensagem simples e certeira, terminando com um sorriso fácil do nosso lado da tela. A última delas, na praia, mostra a atriz, estilo garota "next door", tipo gente como a gente, que senta-se na praia toda feliz, e combina com o namorado por telefone que estaria no posto tal, quando vê surgir do mar, a nada next door girl Débora Nascimento, morena de olhos verdes, corpo escultural...Do "oi tudo bem" da simpática sereia para a nossa garota, a segunda decide mudar de posto sem pestanejar, avisando ao namorado.
Eu ri, e talvez, suspeito que a maioria das mulheres riu. Eu fiquei imaginando depois quantas realmente se identificaram com aquela atitude, eu sei que eu me identifiquei, minha cunhada que assistia comigo também, até que minha mãe lembrou de uma pequena garota (uma anã que gosta se refiram a ela como "pequena"), e que tínhamos assistido no programa da Regina Casé (uma verdadeira aula na tv aberta). Essa "pequena mulher", uma passista da escola de samba e vestida como tal, com o corpo toda à mostra, estava mais confortável e sentindo-se melhor naquele palco, na frente de todas aquelas pessoas, do que eu já me senti na vida toda com o meu corpo, e olha que ela estava no na televisão. Minha mãe disse: "Duvido que a anã da Regina sairia do lugar na praia, tenho certeza que ela ficaria lá e ainda responderia ao bom dia da moça". Isso me fez pensar, e como sempre, eu fiz toda uma auto análise, voltando aos primórdios da minha formação como mulher. Eu demorei pra perceber que eu não poderia ficar para sempre defendendo os homens, que eles estão do lado oposto ao nosso nesse "jogo" dos relacionamentos. Não foi fácil pra uma garota que sempre gostou de ouvir a versão "deles" das coisas, que sempre se sentiu mais a vontade, ou talvez menos entediada na presença dos meninos. Hoje em dia eu penso que não são eles nossos inimigos, e perdoem-me o tom auto-ajuda/pregação cafona, me parece que o grande inimigo somos nós. Nós não nos enxergamos com bons olhos, para dizer o mínimo. Digo isso por mim, digo isso pela maioria das minhas amigas. Usamos paliativos para arrumar o arrombo que temos na nossa auto-estima (desconfio que essa deficiência pode se localizar em algum lugar no cromossomo X extra que carregamos), pode ser um elogio ou olhares na balada, pode ser uma perda de peso, ou uma boa hidratação no cabelo, um vestido novo, tudo isso, ou só isso, é temporário, e não sustenta um troço que se chama auto confiança, essa é mais complicada.
Vi esses tempos em uma daquelas citações de celebridades de revista: "Não gosto da minha barriga, ela poderia ser mais reta, não é como a da Gisele ou da Izabel". Qual não foi minha surpresa ao ver que a autora da frase era a super model Isabeli Fontana.
O X a mais não veio pra brincar mesmo.
Aufwiedersehen!!
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