Oi bebê, prazer te conhecer, eu te amo. Sabe por que eu te amo sem te conhecer? Por que eu já sei quem você é. Eu sonho com você há muito tempo, quando eu brincava de boneca com a sua mãe. Eu não gostava muito das brincadeiras de boneca, mas eu gostava da sua mãe, minha prima-irmã, o que faz de você meu primo-sobrinho. Sua mãe tinha a coleção mais linda da Barbie com todos os acessórios desejados pelas meninas, até por mim que não gostava de bonecas. Sua mãe vinha com as bonecas a tiracolo, toda orgulhosa e eu sabia que ela levava jeito pra essa brincadeira, e eu sonhava em um dia brincar com ela de verdade, e foi ai na nossa infância que eu comecei a te amar.
Sua mãe sempre esteve ao meu lado, com ela eu tentei dar um trago em um cigarro e não consegui, e rimos juntas. Costumava imaginá-la como a ovelha negra da família, transgressora e cheia de vontade, essa é sua mãe que ao contrário do que se poderia imaginar cresceu, amadureceu e pagou todas as suas contas, conquistou respeito em uma cidade gigante que nunca imaginávamos morar, e para a nossa surpresa ficou careta. Uma careta muito legal, que mesmo três meses mais nova que eu, até hoje puxa minha orelha e me pede juízo. Sua mãe é bem folgada.
Mas deixa eu voltar um pouco essa história. Aos 18 anos seguimos caminhos diferentes. O trajeto Araras/Campinas, Campinas/Araras, com férias maravilhosas e cheias de desfile, clipes e eventos realizados na infância, não era mais o único que habitávamos, cada uma foi pra um lado. Mesmo assim estávamos sempre juntas, e como nos divertimos nessa época. Vieram os temidos 22 anos e ai precisamos encarar a vida, e desde então eu e sua mãe apanhamos bastante, aliás, sua mãe começou essa luta antes da sua tia aqui. Nesse meio tempo ela conheceu seu pai. E lógico, ela me contou sobre ele. Ela não estava muito a fim dele no começo viu, mas ele não desistiu, e com muita gentileza e companheirismo conquistou o coração da sua mãe. E assim eles continuam até hoje.
Muitos podem pensar que agora as coisas vão mudar, que sua mãe vai seguir para um lado, e eu, sua tia vai por outro. Eu também tenho medo. Mas acontece que eu te amo bebê, e amo sua mãe, e juntos vamos finalmente brincar na vida real, é pra isso que você vai nascer, é pra isso que nascemos.
Aufwiedersehen!
E tem mais...
(...)
Um monte de coisa misturada..
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
sábado, 15 de outubro de 2011
Coisas que saem da análise
Eu tenho o dom de me esforçar, me esforçar muito mesmo para fazer tudo que eu faço da melhor forma e em todos os aspectos da vida, com a diferença que eu faço isso parecer natural. Tem pessoas que até me acham tranquila demais, zen demais, já fui definida até como desencanada. A verdade é que um medo me persegue, eu tenho muito medo de desaparecer. Eu até fico algumas vezes imaginando o meu velório, imaginando quais pessoas se importariam em aparecer por lá. Na infância eu sonhava em ser uma super heroína, primeiro a batgirl, antes é claro de apaixonar-me pelos mutantes do X-men. Toda a idéia da mutação genética fazendo com que eu me tornasse extraordinária sempre me fascinou, e eu sonhava em ter essa anomalia, em acordar um dia voando, ou com uma super força, ou com o poder de guiar a previsão do tempo. Algo nessa coisa de ser comum me enojava, e eu sempre busquei dentro dos meus limites de humana “perfeita”, me diferenciar. Eu não gostava de usar a roupa da moda, eu não gostava de escolher a mesma comida que o outro escolhia, e nem de ter a mesma opinião, até estar sempre com o mesmo grupo de pessoas me deixava desconfortável, eu precisava sempre de um lugar novo, um evento novo, uma nova data no calendário futuro. Durante esses vinte e poucos anos que eu vivi, tentado formar um modo de sobrevivência próprio, eu criei uma mutação psicológica que me fez capaz de distanciar das pessoas, para ao mesmo tempo observá-las. Eu consegui enfim realizar meu sonho de ser mutante. Eu sou a personificação do narrador onipresente da literatura, que vê toda a narrativa, mas dela não participa. Do meu próprio modo eu criei um mecanismo de controle, que desencadeou o meu fascínio pela comunicação e pelas relações públicas, pelos eventos e por juntar pessoas, debaixo desse alguém muito animado e integrador, havia na realidade um robô com medo de ser esquecido e desaparecer.
Agora com a maturidade eu não sou mais capaz de manter essa máscara, e como esse motor em curto circuito que recobra sua utilidade aos poucos, e começo a achar tudo muito injusto e algumas vezes apenas choro por não poder resolver na hora, para poder pensar novamente nisso no dia seguinte. E aí eu tento juntar um quebra cabeça de como gerir minha vida, juntando conceitos vomitados, desde catolicismo até a ética do bom cidadão, que não nos ensinam a lidar com sensações não previstas, de asco, desprezo, desespero, e solidão seguida de preguiça das pessoas, é tudo contraditório, é tudo irregular e não entra na minha lógica.
Eu sinto que vou desaparecer por que meu celular não toca mais aos feriados e fins de semana, eu sinto que vou desaparecer por que eu me tornei tão independente que meus pais confiam em mim a ponto de me deixarem só, exatamente do jeito que eu sempre quis. A ponto de minhas amigas não se preocuparem se eu entro e me prendo em meu quarto sozinha sem dizer nada, por que eu sempre fico feliz de novo. Eu me tornei um robô e agora tento com força retomar minha humanidade e descobrir como lidar com isso. Um coração que tenta se abrir demora até conseguir achar a chave geral.
Aufwiedersehen!
Agora com a maturidade eu não sou mais capaz de manter essa máscara, e como esse motor em curto circuito que recobra sua utilidade aos poucos, e começo a achar tudo muito injusto e algumas vezes apenas choro por não poder resolver na hora, para poder pensar novamente nisso no dia seguinte. E aí eu tento juntar um quebra cabeça de como gerir minha vida, juntando conceitos vomitados, desde catolicismo até a ética do bom cidadão, que não nos ensinam a lidar com sensações não previstas, de asco, desprezo, desespero, e solidão seguida de preguiça das pessoas, é tudo contraditório, é tudo irregular e não entra na minha lógica.
Eu sinto que vou desaparecer por que meu celular não toca mais aos feriados e fins de semana, eu sinto que vou desaparecer por que eu me tornei tão independente que meus pais confiam em mim a ponto de me deixarem só, exatamente do jeito que eu sempre quis. A ponto de minhas amigas não se preocuparem se eu entro e me prendo em meu quarto sozinha sem dizer nada, por que eu sempre fico feliz de novo. Eu me tornei um robô e agora tento com força retomar minha humanidade e descobrir como lidar com isso. Um coração que tenta se abrir demora até conseguir achar a chave geral.
Aufwiedersehen!
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Obras do descuido
Sempre fui meio descuidada. Esses dias fiz a besteira de entrar em um link que o meu “banco” havia mandado, naquela ânsia de clicar e clicar invadiram minha conta. Ainda bem que tenho poucos recursos, pouco a perder financeiramente, impressionante como ser “pobre” traz tranquilidade. Pensei um pouco nos grandes descuidos de minha vida,eufemismo para dizer que eu sou um pouco desastrada, ou azarada. Tenho um historico digno de biografia de tombos, quedas, quebras, torcimentos e trombadas. Mês passado mesmo, nessa altura do campeonato da vida e na mesma semana, consegui estatelar-me de nádegas na rua e torcer o pé três dias depois. Eu já sofri tantos acidentes que posso até considera-los parte da minha formação, ei-los:
- em idade tenra, por volta dos 03 meses enquanto minha mãe trocava minhas fraldas,em um segundo que ela se virou para pegar uma nova, eu que nem me mexia ainda, cai no chão;
- por volta dos 9 anos, eu aprendia a andar de bicicleta com certa dificuldade (e veja que esse fato liga-se ao próximo item), e até tal feito, eu precisava da ajuda de rodinhas traseiras para equilibrar-me. Em um acesso de mecânica, sentei-me ao lado da bicicleta e comecei a tirar essas rodinhas extras, `a retirada da primeira, desequilibrei a bicicleta que caiu diretamente com seu guidon em minha cabecinha. O fato em si é tranquilo, o traumático (e meu medo de sangue se deve, segundo Freud a esse dia), foi meus irmãos que brincavam ao meu lado, e que ao ver que eu “expelia” sangue a lá Sexta-feira 13, saíram correndo do quintal gritando “Ela vai morrer!Ela vai morrer!”;
- 12 anos e um dia feliz na fazenda do amigo do meu pai. O sol se colocava no horizonte do campo, o cheiro da chuva breve que acabava de cair pairava no ar, na grama e na terra. Eu já andava de bicicleta nessa época, o que era a minha atividade preferida, e na hora de ir eu e meu irmão decidimos continuar no ciclismo pela estrada enquanto nossos pais nos seguiam no carro. A estrada de terra tinha pedregulhos, e na inconstância do chão, meu irmão que liderava a jornada começa a sambar até cair de cara, eu na sequência e no assombro da cena caí também só que para o lado esquerdo, quebrando meu braço em uma quase fratura exposta. Cena bonita e testemunhada pelos pais e primos logo atrás;
- 13 anos e meu braço finalmente estava livre do gesso, em um dia de outono, bem fresquinho, um belo dia para passear no lago da cidade com toda a família. O lago é conhecido pelos pedalinhos que dão vista para toda a circunferência do lugar, fomos diretamente ao deck para pegar um deles, e eu me adiantei para entrar no meu. Assim como apoiei meu pé para frente o pequeno barquinho se foi, se foi, até eu perder o equilíbrio e cair dentro da água, e depois o barquinho voltou, a tempo de eu bater minha cabeça tentando subir.
- 16 anos, a fase da eflorescência da juventude, já me tornava uma mocinha como diziam minhas tias, e vaidosa ia catolicamente com as amigas à aula de step às 19h no clube. Essa aula cheia de garotas atraia a vista dos outros rapazes também àvidos por descobrir essa coisa do sexo oposto, o que tornava as nossas aulas pequenos espetáculos assistidos por bons grupos de 20 moleques que subiam do campo de futebol para olhar o sobe e desce. Eu estava lá em uma quinta-feira, craque nas manobras radicais em cima da tão fadada caixinha, abaixa, bate palminha, vira v....só que na segunda virada eu me estatelei, em cima do step e bem como nos pesadelos o som parou, arranhou o disco, e todos pararam, a platéia parou e eu?eu corri...até o banheiro. Essa história foi crescendo no decorrer dos tempos, e não se falou de outra coisa nos dias seguintes por todo o clube.
Eu tomei alguma licença poética para as idades exatas e a época do ano, mas em suma é tudo verídico e ainda tem mais, que eu prefiro deixar pra outro dia.
Aufwiedersehen!
- em idade tenra, por volta dos 03 meses enquanto minha mãe trocava minhas fraldas,em um segundo que ela se virou para pegar uma nova, eu que nem me mexia ainda, cai no chão;
- por volta dos 9 anos, eu aprendia a andar de bicicleta com certa dificuldade (e veja que esse fato liga-se ao próximo item), e até tal feito, eu precisava da ajuda de rodinhas traseiras para equilibrar-me. Em um acesso de mecânica, sentei-me ao lado da bicicleta e comecei a tirar essas rodinhas extras, `a retirada da primeira, desequilibrei a bicicleta que caiu diretamente com seu guidon em minha cabecinha. O fato em si é tranquilo, o traumático (e meu medo de sangue se deve, segundo Freud a esse dia), foi meus irmãos que brincavam ao meu lado, e que ao ver que eu “expelia” sangue a lá Sexta-feira 13, saíram correndo do quintal gritando “Ela vai morrer!Ela vai morrer!”;
- 12 anos e um dia feliz na fazenda do amigo do meu pai. O sol se colocava no horizonte do campo, o cheiro da chuva breve que acabava de cair pairava no ar, na grama e na terra. Eu já andava de bicicleta nessa época, o que era a minha atividade preferida, e na hora de ir eu e meu irmão decidimos continuar no ciclismo pela estrada enquanto nossos pais nos seguiam no carro. A estrada de terra tinha pedregulhos, e na inconstância do chão, meu irmão que liderava a jornada começa a sambar até cair de cara, eu na sequência e no assombro da cena caí também só que para o lado esquerdo, quebrando meu braço em uma quase fratura exposta. Cena bonita e testemunhada pelos pais e primos logo atrás;
- 13 anos e meu braço finalmente estava livre do gesso, em um dia de outono, bem fresquinho, um belo dia para passear no lago da cidade com toda a família. O lago é conhecido pelos pedalinhos que dão vista para toda a circunferência do lugar, fomos diretamente ao deck para pegar um deles, e eu me adiantei para entrar no meu. Assim como apoiei meu pé para frente o pequeno barquinho se foi, se foi, até eu perder o equilíbrio e cair dentro da água, e depois o barquinho voltou, a tempo de eu bater minha cabeça tentando subir.
- 16 anos, a fase da eflorescência da juventude, já me tornava uma mocinha como diziam minhas tias, e vaidosa ia catolicamente com as amigas à aula de step às 19h no clube. Essa aula cheia de garotas atraia a vista dos outros rapazes também àvidos por descobrir essa coisa do sexo oposto, o que tornava as nossas aulas pequenos espetáculos assistidos por bons grupos de 20 moleques que subiam do campo de futebol para olhar o sobe e desce. Eu estava lá em uma quinta-feira, craque nas manobras radicais em cima da tão fadada caixinha, abaixa, bate palminha, vira v....só que na segunda virada eu me estatelei, em cima do step e bem como nos pesadelos o som parou, arranhou o disco, e todos pararam, a platéia parou e eu?eu corri...até o banheiro. Essa história foi crescendo no decorrer dos tempos, e não se falou de outra coisa nos dias seguintes por todo o clube.
Eu tomei alguma licença poética para as idades exatas e a época do ano, mas em suma é tudo verídico e ainda tem mais, que eu prefiro deixar pra outro dia.
Aufwiedersehen!
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Encontros ilustres
Sempre me peguei pensando sobre os célebres encontros que já aconteceram. Logo na faculdade, há quase uma década dediquei-me como boa caloura inexperiente à dica de um professor, o tema que ele jogou de brincadeira no ar tratava-se da influência da psicanálise no surrealismo nos tantos da década de 20. Estamos falando de Sigmund Freud, o austríaco que usava da dissertação e investigações subjetivas para melhor conhecer o ser humano e literalmente suas entranhas, com Salvador Dali, aquele cara que desenhava com a maior desenvoltura um elefante equilibrando-se em pernas de aranha. Naquela época, assoberbada com as ideias de Freud e seus sonhos, e a sacanagem compensatória do complexo de Édipo, em tempos que eu não sabia que tais coisas eram tão sensíveis quanto o hímen da virgem, e que falar sobre isso era perigoso porque fácil de cair no erro tão próximo da teoria, eu olhava para os lados e pensava se algum de meus colegas seriam brilhantes, geniais, para depois olhar para mim mesma e sonhar em ser algo próximo de um Salvador. Woody Allen em seu último “Midnight in Paris” ilustrou isso tudo, uma divagação deliciosa em que teríamos a chance de beber e dançar com essas pessoas fabulosas. Foi delicioso ver o que seria a amizade entre os escritores Hemingway e Fitzgerald, o diálogo dos surrealistas, essas pessoas com perspectiva irrestrita, e como são deliciosas essas pessoas!
Uma dessas amizades aconteceu lá no final dos século XIX, entre Gaughin e Van Gogh. Os dois artistas teriam morado juntos durante três meses em uma cidadezinha na Holanda sob o intermédio do irmão e eterno preceptor de Van Gogh, Theo. Apenas Paul e Vincent na época, dois pintores de excentricidades diferentes tentando sobreviver na Europa pouco antes da primeira guerra e pós impressionismo. Paul Gaughin havia desistido da vida em família abastada com sua mulher norueguesa e seus cinco filhos, e atendendo ao seu eterno chamado selvagem, desistiu de tudo – fato criticado por Vincent em boa parte de suas brigas – e foi atrás de seu refúgio não civilizado, e como foi provado até o fim da sua vida, já inexistente naquela época. Vincent Van Gogh era o filho mal amado da mãe, um garotinho ruivo e esguio que vivia à sombra do irmão mais novo e bem sucedido, encolhido na pequena cidade de Orles. Paul era o cara cool daquele tempo, rei das festas, seguro e forte, daquele tipo que transforma em ouro o que toca, que nunca está sozinho e como todo popular, anseia mais que tudo à solidão impossível. Vincent sentiu-se bem perto do raio quente que emanava de Paul, ele finalmente chegava perto do sol, mas foi por pouco tempo que ele conseguiu lá ficar, já que vinha com uma bagagem cristã de culpa, vergonha, insegurança e chatice mesmo.
A loucura de Vincent Van Gogh é debatida por motivos contundentes, um homem nos seus trinta e poucos anos, um senhor para a época, corta por vontade própria a sua orelha a sangue frio e a entrega à uma prostituta. Dizem que o motivo do flagelo deve-se à auto punição proveniente de uma briga que teve com o amigo Paul, o cristão calvinista filho de pastor sofria por ter ameaçado, sofria por ter pecado e tentando o mal.
Paul morreu em um paraíso litorâneo afastado, em meio aos selvagens como sempre esteve durante a vida, Vincent suicidou-se e foi mal sucedido, ou teve sucesso apenas depois de sofrer e sangrar por dois dias depois do tiro da tentativa, e sofreu ao lado do irmão Theo até o fim, como em toda a sua vida.
Vincent Van Gogh com seus girassois "homenageado" pelo amigo Paul Gaughin.
Aufwiedersehen!
Uma dessas amizades aconteceu lá no final dos século XIX, entre Gaughin e Van Gogh. Os dois artistas teriam morado juntos durante três meses em uma cidadezinha na Holanda sob o intermédio do irmão e eterno preceptor de Van Gogh, Theo. Apenas Paul e Vincent na época, dois pintores de excentricidades diferentes tentando sobreviver na Europa pouco antes da primeira guerra e pós impressionismo. Paul Gaughin havia desistido da vida em família abastada com sua mulher norueguesa e seus cinco filhos, e atendendo ao seu eterno chamado selvagem, desistiu de tudo – fato criticado por Vincent em boa parte de suas brigas – e foi atrás de seu refúgio não civilizado, e como foi provado até o fim da sua vida, já inexistente naquela época. Vincent Van Gogh era o filho mal amado da mãe, um garotinho ruivo e esguio que vivia à sombra do irmão mais novo e bem sucedido, encolhido na pequena cidade de Orles. Paul era o cara cool daquele tempo, rei das festas, seguro e forte, daquele tipo que transforma em ouro o que toca, que nunca está sozinho e como todo popular, anseia mais que tudo à solidão impossível. Vincent sentiu-se bem perto do raio quente que emanava de Paul, ele finalmente chegava perto do sol, mas foi por pouco tempo que ele conseguiu lá ficar, já que vinha com uma bagagem cristã de culpa, vergonha, insegurança e chatice mesmo.
A loucura de Vincent Van Gogh é debatida por motivos contundentes, um homem nos seus trinta e poucos anos, um senhor para a época, corta por vontade própria a sua orelha a sangue frio e a entrega à uma prostituta. Dizem que o motivo do flagelo deve-se à auto punição proveniente de uma briga que teve com o amigo Paul, o cristão calvinista filho de pastor sofria por ter ameaçado, sofria por ter pecado e tentando o mal.
Paul morreu em um paraíso litorâneo afastado, em meio aos selvagens como sempre esteve durante a vida, Vincent suicidou-se e foi mal sucedido, ou teve sucesso apenas depois de sofrer e sangrar por dois dias depois do tiro da tentativa, e sofreu ao lado do irmão Theo até o fim, como em toda a sua vida.
Vincent Van Gogh com seus girassois "homenageado" pelo amigo Paul Gaughin.
Aufwiedersehen!
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Ontem pra hoje
Era começo do ano e curtíamos um fase deliciosa do verão paulistano que se caracteriza pelos melhores shows e baladas com as pessoas mais interessantes que alguém pode conhecer, em qualquer dia da semana. o Studio SP é palco de jovens promessas da mpb ou simplesmente de grandes talentos que acabaram ficando por lá, sem deixar de ser promessa, mas talvez sem a chance regulatória da sorte. Eles iluminam as noites dos jovens famintos por música boa e brasileira, buscando os ritmos da terra e do céu. Era um desses dias e um amigo tocava bateria com mais algum celebre emergente dessa nossa mpb...em meio à gente e ao som vejo um cara meio excêntrico, calçando tênis surrados, girando de um lado pro outro, uma pessoa diferentona mas natural àquele ambiente, aquele era o Criolo ao qual fomos apresentadas na sequência sob a alcunha de um conhecido rapper da periferia de São Paulo, que às vezes dava seus giros na mpb e em pequenas participações dos "brother" que ficavam pra esses lados da cidade.
Véspera de feriado e um galpão de shows no coração da zona oeste da cidade, alguns meses depois, eu recebia junto à mais de 1500 bons pagantes esse mesmo cara excêntrico galgando seus passos em direção à fama, ou quem sabe, já "dentro" dela. Não pude evitar e pensei naquela noite na Augusta e na concepção desse cara que de uns tempos pra cá ficou conhecido, bombando nos "likes" de muitos facebooks. Entre empurrões e cervejas que caiam, eu pergunto à minha amiga o que havia mudado de ontem pra hoje, e ela me diz, a fama ja ouviu falar?eu digo...nunca assim de perto.
Aufwiedersehen!
Véspera de feriado e um galpão de shows no coração da zona oeste da cidade, alguns meses depois, eu recebia junto à mais de 1500 bons pagantes esse mesmo cara excêntrico galgando seus passos em direção à fama, ou quem sabe, já "dentro" dela. Não pude evitar e pensei naquela noite na Augusta e na concepção desse cara que de uns tempos pra cá ficou conhecido, bombando nos "likes" de muitos facebooks. Entre empurrões e cervejas que caiam, eu pergunto à minha amiga o que havia mudado de ontem pra hoje, e ela me diz, a fama ja ouviu falar?eu digo...nunca assim de perto.
Aufwiedersehen!
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