E tem mais...

(...)

Um monte de coisa misturada..

terça-feira, 16 de março de 2010

Quem é falso aqui?

Caramba, olhando o meu painel da blogosfera pessoal, vejo que o "Sinceros..." já possui 187 postagens.
Não posso deixar de assumir que acredito que esse blog já teve sua fase áurea, e que ele perdeu muito do que seria sua identidade. E quando digo isso não me refiro ao fato de não estar mais viajando linda e feliz pela Europa, mas pq eu perdi o apelo do blog, poder falar mal das pessoas livremente, pq elas não podem entender minha língua!Pronto contei!

Brincadeiras à parte...lógico que o fator idioma me dava uma boa brecha para escrever livre do medo de magoar alguém ou ser mandada embora da casa onde eu morava, e é exatamente sobre esse "medo" q eu quero falar.
Esses dias conversava com o meu amigo alemão sobre essa nossa personalidade brasileira tão...tão...em cima do muro. Ele havia me dito algo, como sempre, extremamente direto e forte sobre outra pessoa, e aquilo de imediato doeu nos meus ouvidos e me chocou, apesar de ser a mais pura verdade. Essa sensação me lembrou muito de algo peculiar a nós brasileiros, quando colocados à prova ao modo de relacionar-se alemão. Eles simplesmente "atiram" certos assuntos tabu com a maior cara lavada e muitas vezes (com toda a verdade), de forma dura e insensível na nossa cara.
Mas então, seríamos nós brasileiros muito sensíveis, ou realmente covardes?Pq essa necessidade de estar sempre "bem" com todos, essa coisa de sempre elogiar, a fim de não magoar? Quantos de nós, por exemplo, não convivemos com pessoas incapacitadas para determinado trabalho, incompetentes dentro do serviço, que continuam empregadas exatamente por esse "medo" intrínseco de ser objetivo, claro, "ficar mal".

Falo isso de forma genérica, pelo que observo, comparando essas duas culturas. Não quero idealizar os alemães, longe de mim, muito menos afirmar que todo brasileiro fica em cima do muro. É apenas algo flagrante em nossa cultura, aquela coisa simples de chegar na casa de alguém e te oferecerem algo para beber: "bom dia senhora fulana, aceita um cafézinho, suco, cerveja?" - recebendo normalmente a resposta: "O que te der menos trabalho." Mas a pessoa está oferecendo tudo isso, então subentende-se que ela PODE te servir qualquer um dos itens. Pra que tanta "gentileza".
E o engraçado é a contrapartida. Quando alguém nos deve dinheiro, e já o cobramos algumas vezes, na terceira vez sentimos aquele nó no estômago. "Nossa, que chato eu ficar enchendo o saco de beltrano pra me pagar." Mas é o BELTRANO que está te devendo!Ele deve sentir vergonha!

Só a modo de ilustração, ontém no Big Brother, houve uma "prova" que consistia nos participantes dizerem, assim de súbito, quem eles consideravam o mais falso da casa. A pergunta é simples, não tem como ter uma segunda interpretação, mas a maioria deles titubeou na resposta...chocou-se, assim como eu me choquei muitas vezes na Alemanha. A idéia da pergunta era apimentar os ânimos na casa, gerar a discórdia, e pelo jeito funcionou.

Penso comigo, até que ponto essa nossa mania, esse covardismo que nos coloca recorrentemente em cima do muro, nos atrasaa vida, tanto profissional, quanto pessoal.
As pessoas não crescem, não melhoram, elas apenas continuam em paz com sua vida mediana e falsa, pq não.

Aufwiedersehen!!

terça-feira, 9 de março de 2010

Nostalgia parte 1 milhão e cacetada...

Se tem uma coisa que eu gosto de dividir com vocês por aqui, esses são os momentos em que eu caio do cavalo. Assim, não literalmente, faz tempo que eu não cavalgo, atividade que eu adorava antigamente, mas quando a minha boca fala através do meu eu lírico, que é de uma pretensão sem tamanho. E não adianta me esforçar, pq palavras estão ai mesmo para ser ditas, normalmente não têm o peso da escrita, ou da palavra filmada, ou gravada de alguma forma, pq o falar é assim informal, espontâneo e muitas vezes improfícuo. Já devem estar imaginando que eu falei mal do Lula pra Dilma, mas não, não foi tudo isso não.

Eu não falei nada que pudesse machucar alguém ou pudesse ter maiores consequências. Eu só aprendi mais um vez, e olha que eu não só lá uma daquelas pessoas que falam demais, prefiro observar, viver, e comentar o fato em questão de maneira descompromissada, que nunca somos melhor agora do que antes, e a vida ainda está sendo escrita.

Estive nesse fim de semana de volta para a minha segunda cidade, Bauru. A cidade que me acolheu, uma piveta de 18 anos recém completados por quatro anos. A cidade onde eu vivi os melhores anos da minha vida (isso sim é fato absoluto e incontestável). A cidade da minha faculdade. No caminho, no carro com um casal querido, ambos colaboradores dessa vida anterior, presentes em vários momentos engraçados e especiais, afirmei que não me sentia mais tão balançada com aquele cenário...falei falei, que havia voltado mais duas vezes se eu não me engano, desde a minha formatura, e aquela cidade realmente tornara-se algo indiferente à minha pessoa. Ledo engano. Foi só adentrarmos aquelas ruas do interior do centro-oeste paulista, para sentir como que um filme dentro da minha cabeça, um filme que começou, entre flashbacks e zoons in e out, e que só foi terminar no domingo a tarde, na hora de voltar pra nossa querida selva de pedra, que na verdade eu continuaria ligada aos lugares que eu passei.

Um intensivo dia deja vu, quase que misturados com a realidade, os mesmos rostos, outros interesses, o mesmo carinho. Deu pra dar uma mexida naquela que antes afirmava ser indiferente, senão à melhor fase de sua vida, mas ao cenário de todo esse acontecimento.

Aufwiedersehen!!

quarta-feira, 3 de março de 2010

Bipolar na metrópole

São Paulo dança dentro dos meus altos e baixos de humor. Ou seriam altos e baixos de São Paulo?
Ultimamente tenho me reconhecido como alguém um tanto quanto bipolar, vivo altos e baixos q oscilam drástica e bruscamente em minha maneira de ver o mundo (pq não sou do tipo q reage, costumo me rearrumar internamente mesmo, comigo mesma, adaptação latente), mas São Paulo continua sendo uma ênfase em potencial, tanto para bem quanto para o mal. Quando digo São Paulo, digo as pessoas de São Paulo, as situações, a chuva, o trânsito, o barulho, e por outro lado, a maravilhosa vida noturna, a variedade, o agito, as milhares de salas de cinema, o acesso praticamente irrestrito: São Paulo.

Ontém sai do trabalho com a cabeça a mil, pensando nos acontecimentos do dia, tentando puxar a minha mente para um lugar mais calmo, fora do expediente, liguei o mp3 no shuffle (modo aleatório de escolha de músicas) e recebi como um presente, uma das minhas músicas preferidas dos Titãs : É preciso saber viver. Fui como q flutuando para o ônibus, sentei na janela e senti a brisa no meu rosto. Adoro me lembrar de como posso ser feliz por simplesmente nada. Volto pra casa e cruzo rotineiramente com o pessoal descolado da facul, q se acotovela e se junta no bar da esquina ao lado da faculdade, bem no meio do meu caminho! (Quem me vê muitas vezes esbarrando "de leve" com umas e outras meninótas folgadas, quase não acredita q há não muito tempo atrás, eu era um deles...). É aquela sensação rídicula q toma conta da gente por nos considerarmos superiores ou mais importantes para o mundo, por causa de "n" fatores de julgamento subjetivo. Eu sou no caso a trabalhadora querendo ir pra casa descansar, enquanto aqueles jovens se empilham no meio da minha passagem e me atrasam pra assistir à novela das 8. Patético. Mas como disse, são momentos, e normalmente no minuto seguinte dou risada de mim mesma e me coloco no meu próprio lugar: Pára de ser rídicula!
Pra terminar, hj estou pendendo para o lado negro da força, então me permito a mais dois desabafos. Situação entrada no trem do metrô: Por que simplesmente não se espera o pessoal q está dentro do metrô sair primeiro, ao invés de se trombar com os mesmos, a fim de entrar no metrô o quanto antes?! Todo mundo vai ficar de pé e sair no mesmo horário de qualquer forma!Isso me irrita todo santo dia, tentarei me conter. Último comentário, se o pessoal sobe a escada, subentende-se q se está com pressa, então por favor, ou sobe pela rolante, ou sobe rápido pela escada, oras!

Aufwiedersehen!
PS: prometo voltar menos azeda na próxima postagem.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Estudante novamente

Segunda-feira passada foi a aula inaugural do meu curso de Cinema. O curso integral abrange todas as áreas da produção e pós produção cinematográfica. Eu optei por me restringir a duas. O roteiro, minha grande paixão ligada a escrita (pra descobrir se sai algum talento nesse formato) e a edição.
Todos foram convidados, num clima bem informal para se apresentarem. Eram mais de trinta pessoas, fora professores em uma sala apertada. Eu revivi meus tempos escolares e de faculdade. Como boa ego-excêntrica q sou, adoro falar de mim mesma (vide esse blog), mas tenho sérios problemas com a comunicação oral. Veja bem...consigo me comunicar muito bem com um grupo de pessoas próximas, em um bate papo tranqüilo entre amigos...mas quando me passam a palavra a coisa complica, gaguejo, falo rápido e errado e capiria (sim, as raízes interioranas retorrrrnam nesse momento), e pulo fatores importantes. Normalmente preparo-me mentalmente para explicar o básico (“vai ser muito metido falar q voltei há pouco da Alemanha?”, “então falo q fui ser babá” “falo da minha formação e de como cai de paraquedas na faculdade” “falo da minha paixão fulminante pelo cinema, e de como eu muitas vezes, e por muito tempo não soube muito bem como lidar com isso”...etc), e sempre soltar uma piadinha de leve pra acalmar o clima. A última parte muitas vezes diminui o desastre anterior.

Bom, depois de um aceleramento cardiaco básico durante a apresentação de meu vizinho fotografo, contei mais ou menos nesse ordem e compexidade: q eu estudei na UNESP, RP, fui pra Alemanha, babá, são Paulo, produtora de animação, mercado, área a fim, roteiro, paixão, o q eu quero escrever e edição. Ufa....engolindo assim...No finalzinho contei q pensei em fazer o curso de edição, alem do de roteiro q é o que eu quero, “para tentar fazer amizade com as máquinas”. Riso geral...ufa...não fui tão ruim assim.
Muitos dos meus colegas falaram de como amam cinema, e de como isso os animou a ir fazer o curso para aprender na prática, alguns até vão no cinema sozinhos e contaram isso como se fosse algo diferente. Pensei comigo mesma: eu faço isso sempre, normalmente duas vezes por semana, por mim iria todo dia...não é normal? Enfim...o normal é relativo, e parece q eu encontrei meus semelhantes.
Requisito final do professor: “Se alguém aqui realmente não ama cinema de paixão, por favor não faça esse curso.”
Eu me afundei na cadeira, meu currículo era extenso nesse setor.


Aufwiedersehen!

Quero ser normal!

Era sábado de carnaval...meus amigos já estavam em seus respectivos destinos festejando o maior evento brasileiro do ano, ou encaminhando-se pra ele. Euzinha encontrava-me em São Paulo, mais especificamente em uma sala de cinema, às 13h em ponto, pronta para assistir a um filme alemão de duas horas e meia. Ao sair tomei um bom café sozinha tbm, e encaminhei-me para a livraria do cinema. Lá encontrei vários posters pops de celebridades q iam de Chaplin a Gandhi. Tenho paixão por posters do tipo ou de cenas famosas de clássicos. Olhando ao lado encontro DVDs à venda, a um preço pouco camarada, fui logo coletando três, uma edição do documentário Munique, sobre o atentado terrorista das Olimpiadas na cidade q eu morei por um ano. O filme biográfico do The Doors, de Oliver Stone, e mais um filme antigo do Almodóvar, A lei do desejo, q eu nunca assisti. Ao me dirigir ao caixa, um dos balconistas, nos seus 17, 18 anos, exaltou-se elogiando o meu gosto: “The Doors!!!Demais..na minha escola o pessoal só ouve Fresno e NXZero...pra onde foram os clássicos?!”. Ele era no mínimo diferente..e q comparação esquisita com a minha pessoa...na idade dele provavelmente eu curtia Axé nas reminiscências afetivas de Porto Seguro. Leva-se um tempo para criar um bom gosto musical muitas vezes....Brincadeiras a parte..longe de mim ser uma dessas pessoas q torcem o nariz pra qualquer tipo de música q não seja a q ela curte, é chato, e me dá preguiça..não quero ser assim nunca. Ao abrir minha carteira para pagar, o mesmo menino exclamou: “Nosssa!!Carteira dos Beatles!Demais!” – Começava a mudar a minha opinião em relação a ele, de bonitinho e entusiasta, para chato intrometido (não sou curiosa, é uma característica minha, as vezes acho uma qualidade, as vezes acho um defeito), mas enfim, não aceito bem intromissões em minha vida, muito menos por pessoas q eu não conheço, talvez algo de rancor de tititi da cidade pequena q eu cresci. Começamos a falar dos Beatles, (meu assunto preferido desde X-men na pré-adolescência, há alguns anos já, tirando Cinema e Big Brother no momento). Quando saio de lá meio frustrada depois de não conseguir passar meu cartão de crédito, porém satisfeita por a viabilidade e necessidade real de minhas compras, me dou conta q visto uma camiseta estilizada do Laranja Mecânica. Eu não agüentaria um acesso entusiasta Cult do meu novo amigo pela terceira vez.
Fui embora pensando, eu sou bem diferentona né....talvez até mesmo um estereótipo ambulante...mas tbm...quem não é?


Aufwiedersehen!!